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terça-feira, 14 de agosto de 2018

Distensão e rotura muscular, o que fazer…


(crónica de Tânia Santo)

As lesões musculares são das mais frequentes no desporto, afectando praticantes amadores e atletas profissionais.
Frequentemente resultam de um processo de fadiga muscular.
As lesões musculares resultantes de actividades desportivas podem depender de factores, relacionados com as características individuais e biológicas, e/ou de factores de relacionados com o meio ambiente (piso, equipamento, condições climáticas, entre outos).
A distensão muscular é uma lesão indirecta. Resulta de um alongamento excessivo das fibras musculares para lá da sua capacidade normal de trabalho, decorrente de ciclos intensos de contracção e relaxamento do músculo envolvido.
Os músculos posteriores e anteriores da coxa, a musculatura interna da mesma e os gémeos, são os mais susceptíveis a esta lesão, também conhecida por estiramento muscular.
A classificação das lesões musculares tem variado ao longo do tempo mas, de um modo geral, baseia-se na gravidade da lesão, ou seja, na quantidade de tecido afectado e na perda funcional.
Consideram-se 3 graus:
I - onde não existe lesão muscular apreciável;
II - com lesão muscular e redução na força muscular;
III - com rotura completa e total perda de função do músculo afectado.

Sintomas das distensões e roturas musculares

O sintoma mais característico é uma dor intensa no músculo, seguida de compromisso da função muscular a ponto de implicar a interrupção da actividade.
Como se referiu, as distensões podem ser classificadas de acordo com as dimensões da lesão, sendo os sintomas diferentes em cada caso:
Grau I – estiramento/distensão de uma pequena quantidade de fibras musculares (< 5% do músculo). A dor ocorre num ponto específico, surge durante a contracção muscular contra uma resistência e pode estar ausente durante o repouso. O inchaço pode estar presente, mas, de um modo geral não é evidente. Ocorrem danos estruturais mínimos, a hemorragia é pequena, a resolução é rápida e a limitação funcional é leve. Apresenta bom prognóstico e a restauração das fibras é relativamente rápida.
Grau II – o número de fibras lesionadas e a gravidade da lesão são maiores ( > 5 e < 50% do músculo), com as mesmas características da lesão de primeiro grau, porém com maior intensidade. Acompanha-se de dor, moderada hemorragia, processo inflamatório local mais acentuado e redução da função muscular. A resolução é mais lenta.
Grau III - ocorre uma rotura completa do músculo ou de grande parte dele (> 50% do músculo), resultando numa importante perda da função com presença de um defeito palpável. A dor pode variar de moderada a muito intensa, provocada pela contracção muscular passiva. O inchaço e a hemorragia são grandes.
Uma rotura completa é muito rara, sendo as roturas subtotais mais frequentes. 

Diagnóstico dos estiramentos e roturas musculares

O diagnóstico é essencialmente clínico, sendo complementado por meios complementares de diagnóstico.

Factores de risco

Factores como a fadiga muscular e a presença de lesões prévias devem ser considerados na prevenção das distensões e roturas musculares.
Existem diversos factores de risco para estas lesões:
Deficiências de flexibilidade,
Desequilíbrios de força entre músculos de acções opostas (agonistas e antagonistas),
Lesões musculares antigas,
Distúrbios nutricionais e hormonais,
Infecções,
Factores relacionados com o treino,
Má coordenação de movimentos,
Técnica incorrecta,
Sobrecarga e fadiga muscular,
Má postura durante a execução do treino,
Discrepância de comprimento dos membros inferiores,
Diminuição da amplitude de movimento e 
Insuficiência no aquecimento inicial antes da prática dos exercícios.

Prevenção das distensões e roturas musculares

As medidas de prevenção são importantes tanto para as crianças como para os adultos que se envolvem em práticas desportivas. De facto, as crianças apresentam um risco mais elevado de lesão mas estas lesões tendem a ser mais graves nos adultos. 
Assim o básico, o aquecimento é crucial em qualquer idade, bem como a utilização de equipamento adequado.
O nível de actividade deve ser aumentado de forma gradual e todo o corpo deve ser exercitado, o que permite evitar as lesões musculares e melhorar a resistência, força e flexibilidade.
Os limites de resistência individuais devem ser respeitados, sendo perigoso procurar ultrapassá-los. É importante não praticar desporto quando se está doente ou debilitado.

Tratamento dos estiramentos e roturas musculares

A aplicação de gelo na região afectada em ciclos de 10 minutos, através de bolsa envolvida por tecido para protecção da pele, e o recurso a uma compressão do local atingido são importantes medidas de tratamento (PRICE: Protecção, Repouso, Gelo, Compressão e Elevação). O membro deve permanecer elevado e em repouso, devendo o período de imobilização ser o mais curto possível de modo a se evitar a perda de força muscular e de sensibilidade do movimento e evitar fibroses. 
Pode ser associada medicação para controlo da dor e do processo inflamatório (falar com o seu médico).
Todos estes gestos, que visam a diminuição da dor e o controlo do inchaço, podem ser aplicados nas primeiras 24-48 horas. Após este período, recorre-se à fisioterapia para ajudar a regeneração dos tecidos.
Por volta da terceira semana devem iniciar-se os exercícios para recuperação da força muscular e da amplitude de movimento das articulações envolvidas.
A intervenção cirúrgica é necessária em pacientes com grandes hematomas intramusculares, lesões ou roturas completas (grau III) e lesões parciais com mais de metade do músculo.

Fontes:
Familydoctor.org, Dez. 2010
American Orthopaedic Foot & Ankle Society
Grupo de Interesse em Fisioterapia no Desporto, 2013
Tiago Lazzaretti Fernandes e col., Lesão muscular - fisiopatologia, diagnóstico, tratamento e apresentação clínica, Rev Bras Ortop. 2011;46(3):247-55
Murray Heber, Tendinosis vs. Tendonitis
Christina Shatney Tendinosis Vs Tendinitis, The BodyNewsletter, Family Physical Therapy Services, Inc., 2, 2000
Fernando Fonseca, Lesões tendinosas no desporto, Actualidades terapêuticas; Faculdade de Medicina, Universidade de Coimbra, Janeiro de 2011
Nicola Maffulli e col., Types and epidemiology of tendinopathy, Clin Sports Med 22 (2003) 675– 692
Hans-Wilhelm Mueller-Wohlfahrt e col., Terminology and classification of muscle injuries in sport: a consensus statement, Br J Sports Med, 18 October 2012 

Tânia Santo
fisioterapeuta
ACeS Médio Tejo
Prática privada Clinipé 

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Tendinite - o que são e o que fazer...


(crónica de Tânia Santo)


Os tendões são estruturas constituídas por tecido conjuntivo, são estruturas fibrosas, com função de manter o equilíbrio estático e dinâmico do corpo, através da transmissão do trabalho muscular aos ossos e articulações do corpo.

No desporto as lesões dos tendões podem ter diversas origens: traumáticas, inflamatórias ou de sobrecarga.

As inflamações dos tendões denominam-se por tendinites.

No joelho existem duas inflamações tendinosas muito frequentes no desporto, a inflamação do tendão da rótula (rotuliano) e do tendão do quadricípite.

Tendinite do tendão rotuliano

A função desempenhada pelo tendão rotuliano é muito importante para fornecer a estabilidade que a rótula necessita, principalmente após um salto. As tendinopatias rotulianas são consideradas uma das patologias tendinosas mais recorrentes em atletas cuja sua atividade envolva o salto ou mudanças de direção repentinas. Por isso, as patologias do tendão rotuliano no desporto são mais recorrentes em desportos como: Basquetebol, Voleibol, Futebol, Atletismo…

Onde se localiza a dor quando existe uma tendinite no joelho?

- Dor localizada: joelho ou mais localizada por baixo da rótula;

- Dor na palpação na zona afetada;

- Rigidez no joelho ao realizar gestos como: sentar, subir escadas, saltar, colocar-se de joelhos, etc;

- Perda de força muscular na zona do joelho;

- Outros sintomas de tendinite no joelho que se podem observar é ocasional perda de equilíbrio, aumento da temperatura na região anterior do joelho ou edema.

A maioria dos casos responde bem à fisioterapia.

A interrupção das atividades que aumentam a dor até que ela desapareça é essencial. Devem ser minimizadas atividades como a corrida (sobretudo em superfícies inclinadas ou irregulares), saltos ou pontapés. Esse repouso gera a oportunidade para a cicatrização e regeneração dos tecidos.

 Após os sintomas desaparecerem, essas atividades poderão ser gradualmente retomadas.

Nestas situações é crucial estabilizar e manter uma biomecânica adequada. O mesmo é aplicável ao tratamento de outras lesões tendinosas mas, para o tratamento de uma lesão no tendão rotuliano o tratamento deve ser doseado segundo a evolução da lesão.

O tratamento da fisioterapia das tendinites do tendão rotuliano é inclui alongar (figuras 2 e 3), técnicas de terapia manual, termoterapia, treino propriocetivo (figura 4) e por vezes meios eletrofísicos.

                               Figura 2

                              Figura 3

Se os sintomas forem ignorados poderá ocorrer a evolução para uma lesão crónica, com cicatrização mais lenta, mais tempo de incapacidade e maior risco de recaída.

                              Figura 4

Não deixe de ouvir os sinais do seu corpo, em caso de dúvida recorra a um profissional de saúde.        

Tânia Santo
fisioterapeuta
ACeS Médio Tejo
Prática privada Clinipé 

domingo, 25 de março de 2018

Entorse do tornozelo - o que é? como tratar!


(crónica de Tânia Santo)

As entorses do tornozelo são, possivelmente, a lesão mais comum das lesões músculoesqueléticas. Estima-se que 15-25% de todas as lesões músculo-esqueléticas sejam deste tipo.

Na sua esmagadora maioria são entorses externas (cerca de 95%).

Habitualmente são lesões benignas e resolvem sem sequelas, mas mesmo as lesões mais graves podem evoluir favoravelmente, se sujeitas a uma abordagem terapêutica adequada.

Os ligamentos do tornozelo mantêm os ossos e articulação na sua posição, protegendo a articulação do tornozelo contra movimentos anormais, como as torções, rotações e rolamentos do pé.

Estes ligamentos são estruturas elásticas que esticam até ao seu limite regressando à sua posição normal. Se um ligamento for forçado para lá da sua normal capacidade, ocorre uma entorse que, em casos graves, pode associar-se a uma rotura das fibras elásticas que o compõem.

Factores de Risco para as entorses

Descrevem-se como principais factores de risco:

1. alterações anatómicas predisponentes (como a diferença de comprimento dos membros inferiores ou laxidez ligamentar),
2. a existência de antecedentes de entorses de repetição e
3. todos os desportos que envolverem movimentos de impulsão/salto e corrida.

Sintomas das entorses

Sintomas de alerta para uma entorse grave a presença de dor imediata e lancinante, percepção de ruptura na face externa do tornozelo acompanhada de estalido/ruído e o aparecimento rápido de hematoma (nódoa negra) ou edema (inchaço).

Pode ocorrer dor nocturna, formação de hematoma, instabilidade nos movimentos e a impossibilidade de suportar carga sobre o tornozelo.

Diagnóstico das entorses

O diagnóstico é realizado com base nos elementos clínicos. A radiografia permite excluir uma fractura associada. As entorses podem ser classificadas em diversos graus. No Grau 1, o mais ligeiro, ocorre apenas um estiramento ligeiro do ligamento, no grau 2 verifica-se rotura parcial do ligamento e no grau 3 a rotura é total. Os sintomas serão tanto mais acentuados quanto mais grave for a entorse.

A ocorrência de uma entorse no passado incorrectamente tratada, aumenta o risco de novas entorses.

Quando as entorses ocorrem de forma repetida e a dor se mantém durante mais de 4 semanas a 6 meses, considera-se a entorse crónica. Estas lesões crónicas alteram a propriocepção e geram desequilíbrio e fraqueza muscular que aumentam o risco de novas lesões.

Tratamento das entorses

A maioria dos doentes com entorses ligeiras não solicita cuidados médicos. Os doentes com entorses graves, devido ao inchaço, dor e impotência funcional, devem procurar ajuda médica.

Como a marcha pode ser dolorosa, o uso de canadianas pode ser útil.

Os medicamentos anti-inflamatórios não esteróides ajudam a controlar a dor e a inflamação.

Nas formas ligeiras, não é necessária imobilização, bastando a realização de exercícios de força e flexibilidade. Nestes casos, o repouso, a aplicação de gelo durante 10 minutos 3 a 5 vezes por dia, o uso de uma ligadura e a elevação do tornozelo acima do nível do coração durante os primeiros dois dias são medidas muito úteis.

Nas entorses de grau 2, as medidas anteriores são importantes mas a imobilização associada à fisioterapia adquirem maior relevância e, no grau 3, a cirurgia poderá ser necessária, embora alguns casos possam ser tratados somente com uma imobilização adequada.

Na maioria dos casos, o processo de cicatrização dura 4 semanas a 6 meses. A incorporação precoce de movimentos no caso das lesões do tornozelo é importante para prevenir a rigidez.

Prevenção das entorses

A melhor prevenção passa pela adequada manutenção da força, flexibilidade, propriocepçao e equilíbrio da articulação do tornozelo.

No caso do desporto, é essencial um correcto aquecimento e a definição de programas de treino específicos para cada modalidade e utilizar calçado adequado. Este calçado deve ser substituído quando o desgaste na sola é visível. A deformação do calçado acentua as nossas tendências.

No caso da corrida, devem-se evitar superfícies muito irregulares.

Sempre que ocorram sinais de fadiga, o descanso é fundamental .

Exercícios possíveis 

1- Saltar ao pé cozinho. 










           

2- Apoio insípidas. 
  


                








3- Treino em tábua de balanço.  







4-Agachamentos em meias bolas.
 






Fontes:


American Academy of Family Physicians Mayo Clinic, 2008  
American Academy of Orthopaedic Surgeons, 2007  
Familydoctor.org, Dez. 2010  
American Orthopaedic Foot & Ankle Society  
Pedro Saraiva, Reabilitação das instabilidades crónicas do tornozelo, Rev. Medicina Desp. in forma, 1 (6): 18-20, 2010,  Vítor Moreira e col., Entorses Do Tornozelo: do Diagnóstico ao Tratamento, Perspectiva Fisiátrica,Acta Med Port 2008; 21: 285-292  
American College of Foot and Ankle Surgeons, 2009  
The Regents of The University of California, 2012  
Thomas W. Kaminski e col., Factors Contributing to Chronic Ankle Instability: A Strength Perspective, J Athl Train. 2002 Oct-Dec; 37(4): 394–405  
Marc Reis e col., A Instabilidade Crónica da Articulação Tibio-Társica: Etiologia, Fisiopatologia e Métodos de Medição e Avaliação, Revista Portuguesa de Fisioterapia no Desport, 6 (1): 6-16                       


Tânia Santo
fisioterapeuta
ACeS Médio Tejo
Prática privada Clinipé 

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Squash: benefícios, lesões e prevenção


(crónica de Tânia Santo)

O Squash foi considerado o desporto mais completo por uma pesquisa, feita pela revista Forbes em 2003, isso porque, exige muita preparação física e pelos vários benefícios à saúde.

O jogo é disputado entre dois jogadores num campo fechado, com recurso a raquetes e uma bola, o  objetivo do jogo é não deixar que a bola toque no chão duas vezes, fazendo com que a mesma chegue sempre à parede da frente, dentro dos limites do campo, na pancada de cada jogador.  É um desporto de multi-sprints. O atleta é capaz de perder cerca de 517 calorias em 30 minutos.

Mas a perca de calorias é apenas um dos benefícios, com a prática de squash é possível:

• Aumentar o condicionamento cardiorrespiratório.
• Fortalecer toda a musculatura do corpo: braço, costas, peito, ombros, abdomen, pernas e glúteos.
• Desenvolver o ritmo, a coordenação motora, o equilíbrio, a agilidade, a força, a flexibilidade, a capacidade de concentração e a capacidade de resposta a estímulos.
• Relaxar e aliviar as tensões.
• Prevenir a hipertensão, o diabetes e a osteoporose.
• Aumentar a memorização e o raciocínio.

Atenção, para que seja possível desfrutar de todos esses benefícios, alguns cuidados são necessários para evitar lesões. O principal é passar por uma avaliação física e ter o acompanhamento de um profissional, para a prática da modalidade com a técnica correcta.

O Squash é um jogo de raquete e bola de alta velocidade que requer o uso repetitivo da coluna vertebral, pernas e especialmente do braço dominante. Como resultado desse envolvimento de todo o corpo, as lesões podem ocorrer em qualquer lugar do ombro, cotovelo e pulso, até o joelho e o tornozelo, bem como na coluna vertebral. Existe um risco de lesões na cabeça e nos olhos da bola ou da raquete e não se esqueça de quão difícil e implacável as paredes podem ser quando se corre contra elas!

A maioria das lesões do Squash são resultado de uma lesão aguda e não derivadas do uso excessivo. No entanto, a lesão do membro superior mais comum observada no Squash é a epicondilite, que é uma lesão por uso excessivo e por técnica pobre.

Existe uma grande variedade de lesões agudas que podem ocorrer ficam alguns exemplos: As lesões faciais, especialmente nos olhos, são prevalentes por isso até aos 18 anos é obrigatório o uso de óculos de proteção. Devido à natureza rápida e ágil do Squash, não é de admirar que haja uma maior prevalência de entorses do tornozelo, pequenas roturas musculares, estiramentos dos músculos das costas, estiramentos dos ligamentos do joelho, lesões de menisco e roturas do tendão de aquiles, predominantemente em atletas de competição.

Para evitar estiramento muscular, é importante aquecer antes do exercício e alongar logo após, e como o squash causa um grande desgaste físico, é necessária grande hidratação.

Os factores de risco identificados são:
  • mais de 40 anos de idade;
  • inexperiência ou técnica pobre;
  • nível fraco de fitness, força e resistência;
  • lesão anterior; número e nível de prática;
  • equipamento/calçado;
  • não uso de óculos de proteção;
  • fadiga e cansaço muscular. 
A melhor prevenção de lesões passa pelo trabalho de fortalecimento, de coordenação e equilíbrio. Assim como são importantes os exercícios de mudança de direção e recepção ao solo que diminuem as lesões dos membros inferiores.

A prática de exercício é importante para manter uma vida activa.

                            Antigos alunos do clube Barbus

       Fotos durante Campeonato Nacional Hotel Vale Manso

Tânia Santo
fisioterapeuta
ACeS Médio Tejo
Prática privada Clinipé 

terça-feira, 14 de novembro de 2017

14 de Novembro - Dia Mundial da Diabetes - Orientação para a prática de actividade física - Os benefícios


(crónica de Tânia Santo)

14 Novembro – Dia Mundial da Diabetes: Orientação para a prática de actividade física – Os benefícios

Comemora-se hoje o Dia Mundial da Diabetes, 14 de Novembro, a diabetes é uma das doenças metabólica e está associada à produção e acção da insulina, que se traduz num excesso da glucose (açúcar) no sangue.


A Diabetes Tipo II é, sem dúvida, o tipo mais comum de Diabetes. É causada por um desequilíbrio no metabolismo da insulina. Tem como principais factores de risco a obesidade, o sedentarismo e a predisposição genética. 

Na Diabetes Tipo II existe um défice de insulina e resistência à insulina, significa isto que, é necessária uma maior quantidade de insulina para a mesma quantidade de glicose no sangue. Por isso as pessoas com maior resistência à insulina podem, numa fase inicial, apresentar valores mais elevados de insulina e valores de glicose normais. À medida que o tempo passa, o organismo vai tendo maior dificuldade em compensar este desequilíbrio e os níveis de glicose sobem. (fonte: http://www.apdp.pt)

Embora tenha uma forte componente hereditária, este tipo de Diabetes pode ser prevenido controlando os factores de risco modificáveis (sedentarismo, alimentação).


Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) estão mais que comprovados os benefícios da prática regular de actividade física (AF) na nossa saúde, nomeadamente:

Redução do risco de doença cardiovascular;
Prevenção e/ou atraso no desenvolvimento de hipertensão arterial, e maior controlo da tensão arterial em indivíduos que sofrem de tensão arterial elevada;
Bom funcionamento cardiopulmonar;
Controlo das funções metabólicas e baixa incidência da diabetes tipo 2;
Maior consumo de gorduras, o que pode ajudar a controlar o peso e diminuir o risco de obesidade;
Diminuição do risco de incidência de alguns tipos de cancro, nomeadamente dos cancros da mama, da próstata e do cólon;
Maior mineralização dos ossos em idades jovens, contribuindo para a prevenção da osteoporose e de fracturas em idades mais avançadas;
Melhor digestão e regulação do trânsito intestinal;
Manutenção e melhoria da força e da resistência musculares, o que resulta numa melhoria da capacidade funcional para levar a cabo as actividades do dia-a-dia;
Manutenção das funções motoras, incluindo a força e o equilíbrio;
Manutenção das funções cognitivas, e diminuição do risco de depressão e demência;
Diminuição dos níveis de stress e melhoria da qualidade do sono;
Melhoria da auto-imagem e da auto-estima, e aumento do entusiasmo e optimismo;
Diminuição do absentismo laboral (baixas por doença);
Em adultos de idade mais avançada, menos risco de queda e prevenção, ou retardamento de doenças crónicas associadas ao envelhecimento. 

A OMS recomenda para a manutenção da saúde em adultos e adultos mais velhos é de 150 minutos de AF de intensidade moderada ou 75 minutos de AF de intensidade vigorosa por semana e 2 a 3 dias de exercícios de força e equilíbrio. Para benefícios adicionais da saúde como por exemplo o controle de peso e alterações de factores de risco a recomendação para os adultos e os adultos mais velhos é de 300 minutos de AF de intensidade moderada ou 150 minutos de AF de intensidade vigorosa por semana e 2 a 3 dias de exercícios de força e equilíbrio.

As crianças e os jovens participam em diversos tipos de actividade física, por exemplo ao participar em jogos e em diversas actividades desportivas. No entanto, os seus hábitos diários têm vindo a ser alterados devido a novos padrões de entretenimento (TV, Internet, jogos de vídeo, tablet, redes socias…), e esta mudança tem coincidido com taxas crescentes de excesso de peso e de obesidade infantil.

As oportunidades para se ser fisicamente activo tendem a diminuir à medida que nos tornamos adultos, e as mudanças nos estilos de vida contribuíram para este fenómeno. Por exemplo a diminuição assinalável na quantidade de esforço físico necessário às tarefas diárias, para nos deslocarmos de um ponto a outro (automóvel, autocarro) e até mesmo para chegar junto das actividades de entretenimento (incluindo as que compreendem uma componente de actividade física). De acordo com os dados disponíveis, entre 40% e 60% da população da UE tem um estilo de vida sedentário. (fonte: Orientações da União Europeia para a Actividade Física).

Em Portugal segundo a avaliação do Eurobarómetro partir de 2014, 9% dos adultos em Portugal relataram que participar em AF de intensidade vigorosa em pelo menos 4 dias nos últimos 7, com 23% daqueles que fazem isso por menos de 30 minutos, 40% entre 31 e 60 minutos e 23% entre 91 e 120 minutos por dia. Além disso, 14% dos adultos revelam participar em AF de intensidade moderada pelo menos 4 dias nos últimos 7, com 34% daqueles que fazem isso por menos de 30 minutos, 43% entre 31 e 60 minutos e 15% entre 91 e 120 minutos por dia.

Em Portugal os dados da OMS Global Health Observatório (GHO) mostram que 62,7% dos adultos (com mais de 18 anos) cumprem a actividade física recomendada pela OMS, sendo os homens mais activos (66,5%) do que as mulheres (59,2%). (Fonte: Portugal physical activity factsheet – OMS 2015).


No seu dia-a-dia seja activo, use as escadas, desloque-se sempre que possível caminhando.

Tânia Santo
Fisioterapeuta URAP Médio Tejo

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Canoagem, lesões mais frequentes e como as prevenir


(crónica de Tânia Santo)

A canoagem é uma modalidade desportiva praticada em rios ou lagos de águas calmas, com embarcações do tipo caiaque, em que o remador é chamado de canoísta. As embarcações são divididas em K1, K2 e K4, com um, dois e quatro tripulantes, respectivamente.


A remada no caiaque é realizada por um remo de duas pás, onde o atleta rema dos dois lados do caiaque, simetricamente. É considerado um movimento basicamente repetitivo, por um longo período de tempo.
As lesões nos membros superiores/braços, principalmente, na região do ombro são as mais frequentes no grupo pesquisado por Hensel p. em 2006 com a selecção brasileira de canoagem. Considerando que a canoagem tem como característica um movimento repetitivo e prolongado, além da ausência de impacto, a etiologia foi consequentemente de origem atraumática. A contratura muscular foi o tipo de lesão mais frequentemente diagnosticada.
As lesões de ombro são extremamente comuns entre os atletas de canoagem. Os movimentos repetidos e constantes das remadas causam lesões por sobrecarga, como tendinopatias, lesões labrais e síndrome de impacto sub-acromial. Problemas mais graves, como as luxações de ombro representam até 6% das lesões. Desta forma, trabalhos preventivos direccionados aos tendões do ombro, musculatura escapular e paravertebral são essenciais para atletas (amadores e profissionais) de canoagem. A federação portuguesa de canoagem disponibiliza pdf com exercícios de prevenção.

A prevenção das lesões tem um papel muito importante em todo o processo de treino desportivo dos canoístas de alto nível, para reduzir a presença e minimizar a intensidade das lesões, incrementando e melhorando o rendimento do atleta, evitando, dessa forma, a perda de dias de treino.
Tendo em conta aos anos de treino em canoagem: 36,7% dos homens e 44,1% das mulheres têm de 2 a 5 anos de prática desportiva. Tanto os homens quanto as mulheres realizam mais de cinco sessões de treino semanal (74,8% e 54,4%, respectivamente). Quanto à duração das sessões de treino, os homens e as mulheres situam-se entre uma hora e meia a duas horas (43,4% e 38,2%, respectivamente).
Tendo-se em conta o momento da produção das lesões, observou-se que existiram diferenças entre os homens e as mulheres, já que, em 51,4% dos homens, produziram-se as lesões após   o termino do treino, enquanto que, em 50% das mulheres, as lesões foram produzidas dentro das sessões de treino.
No período de preparação específica de base (17-19 anos), encontraram-se diferenças significativas no aparecimento das lesões, com relação à duração das sessões de treino, tendo apresentado mais lesões os atletas cujo treino tinha uma duração superior a duas horas. Similares resultados foram encontrados nos atletas maiores de 25 anos, no qual os canoístas que treinavam mais de duas horas em cada sessão de treino tiveram maior prevalencia de lesões.
Em relação às variáveis “anos de prática desportiva” e “número de sessões de treino semanal”, não foram encontradas diferenças significativas. Quando se relaciona o número de horas diárias dedicadas a dormir com o aparecimento de lesões, encontram-se diferenças significativas no período de preparação de base. Nesse grupo, os que dormiam diariamente entre 6 e 7 horas apresentaram maior número de lesões em relação aos que dormiam mais horas.

Baseando-se nos fatores da tipologia e zona das lesões, 29,3% das lesões musculares  localizaram-se na zona lombar, enquanto que 78,3% das tendinopatias foram produzidas nos ombros. Em relação à tipologia das lesões, as mais frequentes foram do tipo tendinosa.
Considerando-se a gravidade das lesões, 53,9% das lesões eram de tipologia leve, ocasionando a interrupção do treino em, pelo menos, um dia. O surgimento desse elevado número de lesões leves deve-se, principalmente, ao fato de a canoagem ser um desporto no qual não existe impacto direto nem contato físico com adversários que provoquem outros tipos de lesões mais graves (fraturas, entorses ou outras), posto que as lesões predominantes têm origem principal no uso articular exagerado. Diversos estudos recomendam atividades de fortalecimento da coifa de rotadores do ombro, para compensar os desequilíbrios de força. Ao considerar-se o momento da lesão, temos que esta aparece ao fim do treino em 51,4% dos homens e durante o período de treino em 50% das mulheres. 

Dalton (1992) destaca que as lesões decorrentes de excesso de uso são muito comuns em atletas adolescentes. Nesta pesquisa, encontramos dados similares, já que 50% dos homens e 53,6% das mulheres lesionados pertenciam à etapa de preparação de base (14-16 anos). Emery, Meeuwisse e Hartmann (2005) estabeleceram que esses tipos de lesões podem dever-se ao facto de a estrutura músculo esquelética dos atletas ainda não estar totalmente desenvolvida nessas etapas, sendo que as rotinas necessárias para a melhoria da performance  e a sobrecarga apresentem uma vulnerabilidade acrescida ao surgimento de lesões. Porém, as lesões também podem ser resultado de uma falha ou má execução em um determinado gesto técnico. Além disso, podem ser causadas pela falta de preparação física, capacidade músculo-esquelética  e atenção do atleta, ou então pela ocorrência de um percalço relacionado com o desenvolvimento da atividade desportiva.
Como nas restantes modalidades desportivas um treino bem estruturado permite evitar lesões nos atletas e consequentes períodos de afastamento para recuperação e/ou até mesmo abandono da prática. Considerando-se a tipologia das lesões encontradas, indica-se a implantação de programas específicos de prevenção de lesões nas regiões do ombro e lombar, acompanhados de pausas de descansos adequados, a fim de facilitar e propiciar a adequada recuperação dos atletas, sugere-se a consulta do site da federação portuguesa de canoagem.
 Fontes:
Epidemiologia e etiologia das lesões em canoístas de alto nível Article in Revista da Educação Física/UEM · August 2015

LESÕES DESPORTIVAS NA CANOAGEM VELOCIDADE Hensel P.1, Perroni M.G.2, Stedile N.R.A.3, Koslowski A.A. 4,Leal F.P.P.5, Oliveira M.F.6, Leal Junior E.C.P.7

Tânia Santo
Fisioterapeuta
Licenciada em Fisioterapia em 2005
Fisioterapeuta nos cuidados de saúde primários desde 2006
Contexto privado - fisioterapeuta na Clinipé

terça-feira, 18 de abril de 2017

Remo, lesões mais frequentes e como as prevenir


(crónica de Tânia Santo)


A prática de remo é uma actividade desportiva aquática com muitos praticantes em Portugal. O remo praticado tanto individualmente como em equipa permite melhorar a coordenação e o desempenho físico.

No remo os remadores são colocados de costas para a proa, sentados em carrinhos deslizantes que permitem o movimento de flexão e extensão das ancas, joelhos e tornozelos, os pés são fixos numa pedaleira. O deslocamento do barco é obtido através da sequência de remadas. A remada inicia-se com a colocação do remo na água, necessita de movimentos de flexão/extensão dos punhos, aplicando-lhe de seguida o remador força com as pernas, tronco e membros superiores.

Este ciclo que caracteriza a remada é potencialmente lesivo, uma vez que implica elevadas cargas para o remador.

As causas mais comuns de lesão no remo são a sobrecarga nos vários níveis anatómicos, no decurso do complexo gesto cíclico de remada; e as alterações abruptas no nível, na frequência e na carga do treino, na técnica ou no tipo de barco utilizado.

A maioria das lesões de sobrecarga envolvem os punhos, antebraços, caixa torácica, joelhos e coluna lombar. Das quais se podem destacar:

Tenossinovite dos extensores com os seguintes sinais clínicos: dor, o inchaço e o ranger, a nível das bainhas desses tendões são as queixas mais imediatas e a impossibilidade de remar a consequência seguinte. Lesão mais frequente no início da prática da actividade e nas épocas mais frias.

Sinovite traumática do punho com queixa inicial de defesa ou de dor, costuma centrar-se na face dorsal do punho e aumenta com o movimento de extensão da mão. Normalmente associada a tenossinovite dos extendores.


Fractura de fadiga de costelas apresenta uma incidência de 10%. Normalmente a localização da fractura é na zona do terço médio/ posterior do arco costal. Surge com mais frequência durante os períodos de treino intensivo, no inverno ou na primavera, quando o remador despende grande actividade de trabalho sobretudo no ergómetro. Apresenta os seguintes sinais clínicos dor muito incomodativa na parede torácica, que agrava com a inspiração profunda, a tosse, a mudança de posição, mesmo na cama.

Lombalgia é a segunda lesão de sobrecarga que se apresenta no remador com mais frequência. A lombalgia de causa muscular, habitualmente surge na sequência da prática agressiva do levantamento de pesos para melhoria de desempenho dos músculos para-vertebrais e abdominais ou após períodos de treino excessivo no ergómetro. Apresenta normalmente os seguintes sintomas iniciais: rigidez da região lombar com limitação da flexão e da rotação, em associação a dor difusa transversal ou mesmo a pontada intensa. Quando se trata de uma lombalgia decorrente de lesão do último disco lombar, também frequente, pode associar-se irradiação da dor para as nádegas ou mesmo para as coxas. Pode provocar períodos de paragem.

Síndrome do tensor da fáscia lata caracteriza-se pelo aparecimento de desconforto e defesa e posteriormente por uma dor de instalação progressiva, na face externa e na sequência dos movimentos de flexão/extensão do joelho.

Como se tratam:

As raras lesões agudas, pela sua inerente gravidade e pela instantânea impotência funcional que provocam, necessitam de urgente tratamento médico especializado. No entanto um suporte adequado desde o início, até a uma oportuna orientação clínica, uma estabilização efectiva da área comprometida o melhor possível, independentemente de quaisquer outros procedimentos adicionais.

Algumas das lesões traumáticas agudas apenas necessitam de procedimentos PRICE (Protecção, Repouso, Ice-Gelo, Compressão e Elevação) mas outras requerem tratamento cirúrgico em regime de urgência.

Quanto às lesões de sobrecarga, estas devem ser sempre orientadas por profissionais de saúde. É de salientar a importância em reconhecer os primeiros sinais de modo a reduzir de imediato na intensidade, na duração e na frequência ou até mesmo na paragem da actividade de treino ou de regatas. Na sequência destes procedimentos, deverão ser revistas as normas e as técnicas de treino com o treinador e no caso dos jovens também pelos pais.

Como se podem prevenir:

Nas lesões agudas um programa regular de estiramento musculo-tendinoso para os membros inferiores e para a coluna vertebral, pode reduzir com significado situações de cãibra, contratura ou até de rotura muscular. Nas mãos, a infecção de calosidades, situação tão frequente, deve ser de permanente preocupação.

A prevenção das lesões de sobrecarga passa pela adaptação adequada do atleta a esta modalidade. Importante não só para conseguir um bom desempenho, mas também para prevenir as lesões mais frequentes.

Na mão e no punho, é importante manter estas áreas bem resguardadas do frio e humidade, através do uso de roupa de protecção para o efeito, especialmente na época fria, para prevenir as tenossinovites.

A nível do tórax na prevenção das fracturas de fadiga deve ter-se em especial atenção um cuidado programa de exercícios de alongamento da coluna torácica, bem como de exercícios respiratórios. O treino em ergómetro não deve ultrapassar os 30 minutos consecutivos, em especial nos jovens e adolescentes.

As lombalgias, na sua maioria, podem prevenir-se com recurso a um programa diário de alongamento para aquisição de flexibilidade. O treino muscular paravertebral e abdominal, monitorizado pelo treinador e/ou pelo preparador físico.

Sempre que surgirem sinais de alarme sinalizadores de uma eventual lesão, a suspensão imediata da actividade deverá ser a norma e a avaliação por um especialista a regra.

A prevenção destas lesões baseia-se num programa de treino adequado e no bom senso do atleta e do seu treinador, no desenvolvimento do mesmo. A pressão deste no sentido do treino excessivo deverá ser anulada. Um treino “inteligente” e uma preparação física adequada com objectivos de um melhor fortalecimento e desempenho musculares, da flexibilidade e da proprioceptividade deve ser tido em conta.

Fonte:
http://www.stoplesoesnodesporto.com/index.php?module=texts&smodule=list&id=455

Tânia Santo
Fisioterapeuta
Licenciada em Fisioterapia em 2005
Fisioterapeuta nos cuidados de saúde primários desde 2006
Contexto privado - fisioterapeuta na Clinipé