quinta-feira, 15 de junho de 2017

Óleo de coco: saudável ou prejudicial?


(crónica de Célia Dias Lopes)

O óleo de coco parece ser a última moda, mas que verdade escondem esta delícia cremosa? Durante muito tempo, o óleo de coco teve uma reputação de ser negativo para a saúde. Porém, mais uma vez, ser acusado não significa ser condenado. Ele é constituído essencialmente por gorduras saturadas, mas especiais, que são triglicéridos de cadeia média. É composto por cerca de 80 por cento de ácidos gordos saturados, que são convertidos em energia e não formam depósitos de gordura, ao contrário dos ácidos gordos de cadeia longa das gorduras animais. 

Na Ásia, Índia e na Polinésia o óleo de coco é parte integrante da alimentação entre as populações locais. Os cientistas julgam que isto explica a baixa de doenças cardíacas, cancro e outras doenças degenerativas. 

Só agora em Portugal se começa a descobrir as características saudáveis do óleo de coco.

Importa clarificar: a diferença entre óleo de coco e a manteiga de coco. A manteiga de coco é feita da polpa de coco fresco, é basicamente “carne” de coco em puré, 1 colher de sopa de manteiga tem 3 gramas de fibra. O óleo de coco é extraído da polpa do coco e é constituído por até 86 por cento de gordura saturada, 6 por cento de gordura monoinsaturada e 1,4 por cento de gordura polinsaturada. Cerca de metade da gordura saturada do óleo de coco é um tipo raro e especial de gordura saturada chamada ácido láurico. É conhecido como um triglicérido de cadeia média (TCM). Este ácido gordo no organismo transforma-se em monolurina, um dos compostos que se encontram no leite materno e que estimulam o sistema imunitário do bebé. 

Os TCM são uma forma única de gordura saturada que se demonstrou possuir propriedades antioxidantes, antifúngicas e antimicrobiana que apoiam o sistema imunitário, protegem das doenças cardiovasculares, da diabetes e melhoram o perfil de colesterol.

Qual o óleo de coco que deve escolher?

Talvez se sinta perdido perante a grande variedade de óleo de coco que existe no mercado. No entanto pode haver uma diferença entre eles notável em termos de preço e qualidade. 

Procure óleo de coco virgem, orgânico, prensado a frio, não refinado e nunca desodorizado ou branqueado. O processo de extração deve ser de pressão mecânica a baixa temperatura e sem produtos químicos, permitindo assim um óleo saudável e saboroso. 

Só o óleo de coco refinado hidrogenado, que contém ácidos gordos trans, deve ser evitado na alimentação. 

É dispensável comprar óleo de coco biológico para que seja de boa qualidade, pois não existem variedades de cocos geneticamente modificados e são usados muito pouco pesticidas nos coqueiros.

O óleo de coco pode substituir qualquer outro óleo ou matéria gorda.

O óleo de coco pode ser aquecido até 180ºc, sem perder as características benéficas para a saúde. Não produz produtos tóxicos ao ser aquecido, tornando-se uma opção excelente para saltear, fritar e assar. 

Não hesite a experimentar várias marcas até encontrar o mais adequado à sua bolsa e ao seu gosto.

Célia Dias Lopes é dietista. 
Licenciada em Dietética desde 1997 e pós-graduada em Saúde, Aconselhamento e Tendências de Consumo, ambos pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa.
Sócio-gerente da empresa NutriCuida Consultoria e Nutrição, Lda.
É formadora e consultora na área da nutrição. Autora de inúmeras comunicações em congressos.
Autora do Livro " a e i o u da dieta saudável do doente em hemodiálise".
Membro da Associação Portuguesa de Dietistas e da Ordem dos Nutricionistas.

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