(crónica de Sofia Loureiro)
Desde que a psicologia do
desporto assumiu um papel mais relevante no desempenho e rendimento de atletas,
que uma das áreas de interesse se dedica à intervenção junto de equipas. É pois
face a esta temática que se procurará refletir nesta crónica. O desporto
implica em cada pessoa grande influência ao nível dos limites humanos. Limites
estes que não se referem apenas aos aspetos físicos mas também psicológicos.
Assim, quando nos debruçamos sobre estas questões numa pessoa que pratica uma
modalidade em equipa, as variáveis multiplicam-se e correspondem a muito mais
do que à soma das partes.
Quero com isto dizer que para
além de se considerar cada atleta per si, nas suas dimensões pessoais
(motivação, níveis de ansiedade, medo de ser substituído na equipa ou de sofrer
lesões), há que estar atento a questões relacionadas com dinâmicas de grupo,
coesão da equipa, liderança, gestão de stress e conflitos. Os conflitos neste e
noutros casos não são um mal a evitar, mas sim uma questão que se deve aprender
a superar como forma de reforçar os grupos.
Estas questões da coesão do grupo
(a par da individualidade e especificidade de cada atleta) são essenciais para
quem pratica, treina e acompanha estas equipas. Realço assim que devem ser
potenciadas e salvaguardadas propriedades grupais como: a comunicação entre
todos os elementos, as questões de consenso, a perceção que cada praticante tem
do grupo, a perceção que cada um/a tem do seu papel na equipa, a gestão de
conflitos, entre outras.
Ter conhecimentos nestas áreas e
competências para estimular e acompanhar uma equipa, promovendo a coesão dos
praticantes, está já estudado por muitos especialistas na matéria em apreço e
sabe-se que se reflete de forma direta no rendimento e nos resultados das
equipas. Quero com isto dizer que em várias investigações de campo, se
comprovou a corelação positiva entre a coesão do grupo (a união entre os
elementos, a boa comunicação e perceção do objetivo comum) e a estabilidade da
equipa e dos resultados atingidos. Mesmo após resultados menos favoráveis para
a equipa, aquelas onde os níveis de coesão grupal são elevados, conseguem
manter a motivação e o rendimento de trabalho para a prossecução de novos
objetivos.
Considera-se assim que a par de
um bom treino físico e tático é essencial para um bom rendimento desportivo de
uma equipa e dos atletas que a compõem, estar atento e trabalhar diariamente
todos os aspetos anteriormente descritas e que promovem a coesão e a estabilidade
do grupo.
Sofia Loureiro
Psicóloga Clínica
Licenciada em Psicologia pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto
Pós graduada em Psicoterapia Comportamental e Cognitiva
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