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sexta-feira, 15 de julho de 2016

Verão... calor... e suor?


(crónica de Sandra Pita)


Chegou finalmente o Verão…
Não apenas para os atletas, que praticam desporto todo o ano, esta é a altura do ano em que muitas pessoas iniciam ou retomam uma atividade física. Está calor, os dias são maiores… mas também mais quentes, o que leva a que muitas pessoas refiram o incómodo causado pelo suor nos pés, associando-o muitas vezes a maus cheiros e desconforto.
O que é o suor?
O suor, ou transpiração, é uma forma de o corpo se refrescar, libertando um líquido através das glândulas sudoríparas. Este mecanismo tem como objetivo a regulação da temperatura corporal e é uma forma de excretar nitrogénio.

Porque cheira mal o suor?
Por incrível que pareça e contra o que normalmente as pessoas pensam, o suor não tem qualquer odor. O odor só se sente quando o suor permanece por algum tempo em contato com a nossa pele, por exemplo no caso de utilizarmos ténis ou sapatos fechados, pois as bactérias começam a decompô-lo, libertando o famoso cheiro.
Esse incómodo muitas vezes acarreta situações constrangedoras, como tirar o sapato na frente de outras pessoas, evitando convívio social.

  
Como posso melhorar esta situação no dia a dia?

- Beba muita água – 1,5L/2L por dia. Uma boa quantidade de líquidos proporciona um melhor funcionamento renal e um suor mais ligeiro;

- Ingira alimentos naturais, ricos em fibra, por exemplo: fruta, vegetais;

- Tente não realizar com muita frequência refeições com muitos condimentos e/ou com molhos picantes;

- Como o suor normalmente aparece entre os pés e os dedos, lave e seque esta região do corpo corretamente, pelo menos uma vez por dia e sempre após a prática desportiva. Pode optar por secar no meio dos dedos com o secador no modo “Frio”;

- Utilize sempre meias feitas de tecidos naturais, como fibras de algodão ou de bambu, são a melhor opção, uma vez que estes tecidos evitam a humidade nos pés;

- Troque as meias diariamente e imediatamente após a prática desportiva e use sapatos de materiais que facilitem a transpiração dos pés, como lona ou couro. No caso dos ténis, mais importante que a marca ou modelo é ter atenção às suas propriedades antitranspirantes, que normalmente vêm descritas nas caraterísticas dos mesmos. Quando não está a praticar atividade física, e para compensar a compressão a que os pés estão sujeitos nesta altura, opte por utilizar sandálias e chinelos;

- Não use o mesmo par de sapatos ou ténis todos os dias. Após o dia ou após o treino, coloque-os num local bem arejado para que tenham tempo de secar;

- Recursos naturais – o funcho é muitas vezes utilizado para atenuar o suor. Mascar um pequeno ramo de funcho, todos os dias em jejum, diminui este problema;

- Existem no mercado muitos produtos que diminuem a transpiração e suor nos pés. No entanto, na altura de escolher opte por recorrer a um profissional qualificado para fazer um tratamento preventivo/ curativo desta situação adaptada a si e à sua condição particular. 


Hiperidrose Plantar
A situação do suor e consequentemente do odor normalmente é controlável apenas adaptando estas pequenas dicas no seu dia a dia. No entanto, caso verifique que o suor nos pés está em excesso, observando-se que a parte inferior fica molhada, branca e enrugada, mesmo que apenas tenha calçado os ténis durante 5 minutos, estamos perante uma “Hiperidrose Plantar”.
Esta situação pode levar à dor, dado aumento da sensibilidade nesta região e ao aparecimento de feridas e gretas, que levarão ao abrandamento ou cessação da atividade física até a situação estar controlada.
 Como tratar a Hiperidrose?
Felizmente, quem sofre desta patologia possui várias opções de tratamentos. São elas as seguintes:
- Injeção de Botox;
- Iontoforese – este tratamento consiste na aplicação de pequenos elétrodos nas mãos, nos pés e ou nas axilas, ligados a uma corrente contínua de baixa intensidade. Com este tratamento, a produção de suor é bloqueada. O melhor de tudo é que o equipamento para realizar este tratamento pode ser adquirido em lojas ortopédicas e farmácias, o que significa que pode fazê-lo no conforto do seu lar;
- Simpaticectomia (via cervical ou axilar) – não utilizado muito atualmente;
- Simpaticectomia toracoscópica – cirurgia bastante simples e eficaz.

Conclusão:
Como em qualquer situação, uma boa avaliação da situação levará decerto a uma melhor resolução do problema. Sendo o suor com o odor que lhe é caraterístico um problema que afeta tantas pessoas, causando tantos constrangimentos mesmo a nível social, nada como procurar um profissional qualificado, que em conjunto consigo delineará a melhor estratégia para a resolução do problema!
Sandra Pita.
Licenciada em Enfermagem há 12 anos, exercendo em cuidados de saúde primários.
Formação pós-graduada em Geriatria e Gerontologia. Formação em Podologia. Formação em Feridas. Formação em Laserterapia.
Contacto: Tlm. 962565899 Email: info.clinipe@gmail.com
Endereço Profissional: Clinipé - Av. das Forças Armadas - Edifício Sopadel, loja 4.
2200-300 Abrantes.

domingo, 15 de maio de 2016

Dor no Joelho - "joelho de corredor"


(crónica de Sandra Pita)

O Joelho do corredor, “runnersknee” ou síndrome da banda iliotibial atinge, em especial, os corredores de longas distâncias. A dor começa por manifestar-se apenas no treino mas, se não for avaliada e tratada correctamente, deixa de manifestar-se apenas durante e após o exercício e torna-se presente ao longo do dia, em actividades simples como descer e subir escadas e inclinações.
Em algumas situações mais graves ou persistentes, o atleta pode mesmo ver-se impedido de praticar exercício. 
Características:
Dor na região lateral externa do joelho, que pode manifestar-se durante ou após a prática da corrida.
Causas:

Tensão ou encurtamento da banda iliotibial (fáscia localizada na face externa da coxa) - provoca um atrito entre a banda iliotibial e a região lateral do fémur. Esse atrito gera um processo inflamatório na bolsa serosa (almofada com líquido sinovial) e, consequentemente, dor na região.
Porquê?
Este tipo de dor pode ter várias causas, entre elas:
- Pronação do pé (alteração na forma como o atleta assenta o pé no chão);
- Dismetrias (diferença no comprimento dos membros, normalmente na perna maior);
- Encurtamento dos músculos posteriores da coxa;
- Excesso de peso;
- Metodologia de treino inadequada (carga excessiva);
- Treino em pisos irregulares ou demasiado duros;
- Escolha errada das sapatilhas.
Tratamento:

O tratamento passa necessariamente pela eliminação das eventuais causas da lesão, bem como pela redução ou mesmo a paragem da actividade. Após a eliminação das causas da lesão, existem vários tratamentos, entre os quais:
- Alongamento dos músculos
- Crioterapia (aplicação de gelo 1Omin – 3x por dia)
- Tratamentos de fisioterapia, entre outras opções (medicação).
Conclusão:
Como em qualquer situação relacionada com dor persistente, a resolução da dor no joelho no atleta passa essencialmente pela prevenção, através da minimização/eliminação das causas, escolha rigorosa relativamente ao calçado utilizado nos treinos e avaliação sobre a necessidade de utilização de palmilhas, para estabilidade da passada durante a corrida.
Caso já exista alguma dor, o atleta deverá diminuir de imediato a carga e a intensidade dos treinos e alterar na medida do possível os locais de treino para pisos mais regulares e de menor impacto. O primeiro tratamento deve passar sempre pela realização de alongamentos e colocação de gelo.
Se os sintomas persistirem, o atleta deverá procurar um profissional de saúde, que avaliará a sua situação de forma individual.
“Quando se trabalha com uma verdadeira equipa, não há obstáculo que não seja superado nem sucesso que não seja alcançado”. Obrigada à fisioterapeuta Tânia Santo, pela sua participação e colaboração na realização deste artigo.
Sandra Pita.
Licenciada em Enfermagem há 12 anos, exercendo em cuidados de saúde primários.
Formação pós-graduada em Geriatria e Gerontologia. Formação em Podologia. Formação em Feridas. Formação em Laserterapia.
Contacto: Tlm. 962565899 Email: info.clinipe@gmail.com
Endereço Profissional: Clinipé - Av. das Forças Armadas - Edifício Sopadel, loja 4.
2200-300 Abrantes.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Quando o calcanhar dói


(crónica de Sandra Pita)


As dores e lesões costumam ser os principais inimigos dos atletas. Por isso, saber como prevenir e tratar alguns problemas pode evitar que o atleta sofra com incómodos e, muitas vezes, seja obrigado a afastar-se durante meses dos treinos.

Uma das dores mais comuns com que nos chegam os atletas é com a dor no calcanhar.

A dor no calcanhar designa-se por Talalgia e a sua origem é tão variada que pode ser apenas devido a um motivo banal, como um exercício físico mais intenso, como à presença de um esporão do calcâneo, ou qualquer outra manifestação mais complexa.

Na maior parte dos casos, e em particular no caso dos atletas, está associada a alterações biomecânicas (anomalias na forma de posicionar o pé ao caminhar ou correr) do próprio indivíduo. Estas alterações podem provocar excesso de pressão no osso calcâneo ou nos tecidos moles em seu redor, resultando numa inflamação e, consequentemente, em dor.

Dada a condição específica de cada atleta, pode ainda resultar de um traumatismo ocorrido durante a corrida ou salto ou pelo mau calçado (muitas vezes não apropriado e desgastado).

Normalmente, os praticantes de desportos de constante impacto que sofrem deste tipo de dores apresentam uma patologia comum: o esporão calcâneo, que é uma proeminência óssea que se forma no osso do calcanhar ou na inserção do tendão de Aquiles. Este aparece normalmente por tracção excessiva ou microtraumatismo repetido da fáscia plantar, provocado na maioria dos casos por desequilíbrios biomecânicos. 


Esta alteração só é visível por Rx e normalmente a dor apenas se manifesta quando há inflamação da fáscia plantar (Fasceíte plantar), que é o tecido fibrinoso que envolve a planta do pé.


   
Existem ainda outras causas para esta dor, tais como:
  • Movimento pronatório excessivo do pé (queda do lado interno do pé para dentro).
  • Inflamação das bolsas serosas (bursite) do trajecto posterior do calcâneo.
  • Compressão nervosa (síndrome do canal társico)
  • Traumatismos ou fracturas de stress do calcâneo

Tratamento


Uma das partes mais importantes do tratamento é a avaliação da situação, para se compreender a origem da dor e então definir qual a melhor estratégia para colmatar o problema. Normalmente é necessária a realização de um Rx e de uma Ecografia das Partes Moles.

O tratamento inicial pode envolver recomendação de calçado apropriado, ligadura de compressão e anti-inflamatórios locais. Se se observar possível alteração biomecânica do pé ou da marcha, a aplicação de uma palmilha personalizada, adaptada à sua situação clínica, contribuirá para a resolução do problema.

Melhor é Prevenir!

A prevenção é sempre a melhor alternativa para evitar que apareça algum problema que cause dor ao atleta.

Para isso, deve sempre usar equipamentos apropriados e não correr insistindo caso sinta dores frequentes na região do calcanhar ou da planta do pé. Se dói, é porque há um problema e o melhor é avaliar o que se passa antes que faça uma lesão mais séria, o que implica mais tempo de paragem.

Nunca esquecer que o calçado com bom amortecimento e sem grande desgaste é fundamental e para a sua escolha o atleta deve sempre fazer o teste da pisada, para saber qual o que melhor se adapta a si.

Antes de iniciar o seu exercício, não se esqueça da importância dos exercícios de aquecimento e quando terminar, dos exercícios de alongamento, que vão decerto evitar complicações futuras.

Deixo uma sugestão: caso termine um treino e sinta muitas dores na região plantar e do calcanhar, pode tentar fazer movimentos de rolamento com uma garrafa de 33cl com gelo, conforme a figura. Faça 3 sessões de 10 min, descansando 5 min entre cada, várias vezes por dia. A dor aliviará e sentir-se-á muito melhor. Mas atenção: o problema está lá e existe, não o descure! 



Como atleta, não ignore os seus pés! Se nota alguma alteração, procure uma equipa multidisciplinar especializada que consiga mais do que avaliar a sua postura, avaliar quais as suas necessidades e adaptar, em conjunto consigo, o que necessita para se sentir cada vez melhor consigo próprio.
Sandra Pita.
Licenciada em Enfermagem há 12 anos, exercendo em cuidados de saúde primários.
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terça-feira, 15 de março de 2016

Sabe escolher o seu ténis?


(crónica de Sandra Pita)


Indiscutivelmente, o calçado aparece sempre associado à moda. Gostamos de estar atualizados, utilizando “o que se usa”, o “que está na moda”, o que “fica bem”.

Com o calçado desportivo não é diferente… apesar de tentarmos adaptar o melhor ténis à modalidade desportiva que praticamos, esta escolha nunca aparece dissociada de grandes marcas, de determinados modelos e de… preços altos!

No entanto, para que a sua performance desportiva seja a melhor possível, é necessário existir uma criteriosa escolha no modelo que melhor se adapta a cada um de nós, de acordo com a modalidade e com a frequência com que a praticamos, pois caso contrário serão os nossos pés que sofrerão.

Quantos desportistas aparecem com algum tipo de lesão, maior ou menor, com alterações ao nível da pele que, aparentemente, são inexplicáveis, mas que depressa compreendemos que estão nada mais nada menos que associados ao calçado que utilizam? Seja qual for o caso, umas vezes por já ter sofrido algum desgaste, outras vezes por ser novo e não se adaptar bem às características únicas do pé, o calçado inadequado aparece como um dos principais motivos para desconforto e dor ao nível dos pés e membros.
  
Mas afinal… como é constituído um ténis?

Vejamos um exemplo de um ténis normal, de corrida. Este é formado por cabedal, palmilha, sola, entressola, sistema de amarração (atacadores) e talão. A qualidade do calçado é determinada pela tecnologia aplicada em todas essas partes. 

O cabedal é a parte superior do ténis, formada normalmente por tecido ou couro e tem a função principal de proteger e garantir o conforto necessário para os seus pés.
A palmilha tem a responsabilidade de manter o pé na postura correta dentro do ténis.
A entressola fica localizada entre o cabedal e a sola e tem a função de garantir a dispersão dos impactos e o controle dos movimentos. Normalmente é na entressola que estão localizados os sistemas de absorção de impacto, esses são formados por matérias semelhantes à espuma. Algumas marcas utilizam até sistemas de molas na entressola.
A sola fica em contato com o chão e deve garantir a tração e a estabilidade necessária para as práticas cotidianas.
A estrutura formada pelo atacador e os passantes é chamada de sistema de amarração (atacadores). Essa parte é fundamental para a firmeza dos pés dentro do ténis. Os calçados específicos para corrida são desenvolvidos para ficarem firmes, mas sem apertar, para não causar lesões. Por isso eles usam atacadores finos e passantes na forma de furos, que se concentram na lingueta.
O talão é a estrutura da parte posterior do ténis. Ela sustenta o calcanhar e posiciona o tornozelo corretamente dentro do calçado. Os modelos de corrida apresentam um reforço especial nessa parte, pois é preciso firmar o calcanhar e assegurar uma passada mais firme, evitando torções.
E agora…como escolher?

Caso pratique uma atividade desportiva casualmente, tipo uma caminhada duas a três por semana, pode perfeitamente escolher um calçado de acordo com esta modalidade, seguindo algumas dicas:
-  Experimente os ténis no final do dia ou depois de caminhar, quando seus pés estão mais inchados e sempre com meias apropriadas (desportivas);

- Com os pés dentro dos ténis, verifique se se sente confortável ao mexer os dedos;
- Ande um pouco ou até mesmo corra alguns passos na loja enquanto estiver experimentando os ténis;

- Aperte os atacadores do ténis na totalidade, começando pela ponta e ajustando uniformemente e verifique que não se sente apertado;
- Sinta o seu calcanhar e certifique-se de que este cabe firmemente dentro do ténis, sem sentir grandes folgas.
Caso seja praticante de uma modalidade desportiva, com treinos e provas frequentes, a escolha deverá ser muito mais criteriosa; para além das caraterísticas do calçado, que deve adaptar-se à modalidade desportiva, tem que ter em consideração as caraterísticas únicas do seu pé. Para isso é fundamental avaliar o seu tipo de passada, pois esta vai definir quais as adaptações que necessita para que a sua performance seja o mais alta possível. Essa avaliação é feita em pouco tempo, por profissionais de saúde qualificados, que lhe farão de imediato um diagnóstico e o aconselharão na escolha do ténis adequado para si.

Não Esquecer!
Todos nós nascemos descalços e o calçado foi uma invenção do homem para proteger, mas em muitos casos ele é um agressor. O calçado tem de que se adaptar ao pé, e não o contrário. Cada pé tem 28 ossos e dezenas de articulações e tendões e merece toda a atenção e cuidado.
O calçado desportivo tem a função de amortecer o impacto gerado a cada contato do pé com o solo e estabilizar os movimentos, evitando qualquer tipo de contusão, não esquecendo sempre que o modelo apropriado deve respeitar o tipo de passada.
Um bom calçado desportivo deve durar cerca de 6 meses de uso intenso, ou cerca de 700 km.
Ainda tem dúvidas?
Ao comprar um calçado desportivo, lembre-se que a sensação deve ser a de “quase” andar descalço.
Procure-nos, decerto o ajudaremos a escolher o calçado que melhor se adapta a si e, acima de tudo, aos seus pés… porque não são eles a sua base para a primeira passada?

Sandra Pita.
Licenciada em Enfermagem há 12 anos, exercendo em cuidados de saúde primários.
Formação pós-graduada em Geriatria e Gerontologia. Formação em Podologia. Formação em Feridas. Formação em Laserterapia.
Contacto: Tlm. 962565899 Email: info.clinipe@gmail.com
Endereço Profissional: Clinipé - Av. das Forças Armadas - Edifício Sopadel, loja 4.
2200-300 Abrantes.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Desporto... com meia ou sem meia???


(crónica de Sandra Pita)

As meias de compressão parecem ser uma tendência de moda desportiva, sendo utilizadas por um número cada vez maior de atletas. Mais que uma tendência, podemos verificar que estas meias, que vão quase até aos joelhos, são bem mais que isso; na verdade, meias deste tipo são usadas há muito por pessoas com problemas circulatórios e também em situações pós-operatórias. 


Qual a diferença?

Ao contrário das meias de compressão ditas “tradicionais”, as que são utilizadas no desporto são elaboradas com material mais resistente.

Quais os efeitos?

À semelhança de uma meia de compressão “normal”, as meias de compressão desportivas melhoram significativamente o retorno venoso para o coração, através de um impulso criado por uma ação muscular mais eficiente dos gémeos, ocasionando um aumento da capacidade de resistência do atleta. Esta compressão selectiva promove um maior equilíbrio e propriocepção, e menor fadiga muscular. 


E resulta mesmo?

Em 2009, Kemmleret e tal realizou uma pesquisa, que consistia num teste de esforço realizado em passadeira. O teste começava a uma velocidade de 9 km/h e a cada 5 minutos a velocidade da passadeira aumentava 1 km/h, indo até à exaustão do atleta. O teste foi realizado duas vezes, a primeira sem meias de compressão e a segunda com as meias. Em ambos os testes foram feitas análises de consumo de oxigénio e dosagem de concentração de ácido láctico no sangue.

O intervalo entre os testes foi de 10 dias, justamente para que o treino não tivesse influência nos resultados obtidos e para que fosse possível ao atleta recuperar do esforço.

Os corredores conseguiram, no primeiro teste sem as meias, suportar um esforço médio de 35 minutos e 18 segundos, sendo que no segundo teste com as meias a média foi de 36 minutos e 44 segundos, ou seja, um minuto e vinte e seis segundos a mais com as meias de compressão.


Estes dados são suportados por outras pesquisas. A título de exemplo, Ali et al. (2007) verificaram que não ocorrem alterações nos parâmetros fisiológicos durante ou depois de uma corrida de 10 km. No entanto, encontraram melhorias ao nível da dor muscular, apontando como possível justificação a teoria da vibração muscular. Dois outros estudos, realizados em 2006 por Chatardet & Bringardet, verificaram um melhor desempenho e economia de corrida durante uma corrida de 5 Km. 


Então… com meia ou sem meia?

Na prática desportiva, os benefícios da utilização de meias de compressão durante o exercício são então vários, sendo mais evidentes:
a) diminuição da sensação de “pernas pesadas” e de cansaço nos gémeos;
b) aumento do retorno venoso comprovado e consequente;
c) diminuição do esforço cardíaco e batimento cardíaco;
d) diminuição das vibrações musculares e tendinosas resultantes de um esforço contínuo e prolongado como a corrida, por exemplo.

Este conjunto de factores aumenta o conforto do atleta durante a competição e a possibilidade de um rendimento desportivo superior.

Outra das grandes mais-valias da utilização das meias compressivas durante o exercício é a redução do risco de desenvolvimento de hipertensão venosa crónica no sistema superficial dos membros inferiores. 
E depois do desporto?
Além da utilização de meias de compressão desportivas durante a realização de qualquer atividade, há um número cada vez mais crescente de atletas que utiliza meias próprias para a recuperação após o desporto.

De fato, após a prática desportiva, não existem dúvidas de que os equipamentos desportivos de compressão são bastante úteis na diminuição das dores musculares e na recuperação pós-treino e as meias de compressão são o exemplo disso mesmo. Vários estudos apontam para uma remoção mais eficiente do lactato, diminuição do inchaço e diminuição da dor muscular com a utilização das meias de compressão, daí ser aconselhado a todos os atletas no período que se segue à prática desportiva.


“Agradeço a participação e colaboração da fisioterapeuta Tânia Santo na realização deste artigo. Do fundo do coração, obrigada!”

Sandra Pita.
Licenciada em Enfermagem há 12 anos, exercendo em cuidados de saúde primários.
Formação pós-graduada em Geriatria e Gerontologia. Formação em Podologia. Formação em Feridas. Formação em Laserterapia.
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Pés de Atleta... quem não tem?


(crónica de Sandra Pita)

As micoses da pele são um dos principais problemas que afetam os pés, tanto de homens como de mulheres. Estes fungos alimentam-se das células da derme e conseguem sobreviver em ambientes quentes, húmidos e fechados, concentrando-se sobretudo na zona dos pés, dando origem ao vulgarmente conhecido Pé de Atleta (Tinea Pedis).
A nível mundial estima-se que 21% da população adulta sofra de pé de atleta e sabe-se que este problema de pele afeta em maior escala os desportistas, já que as agressões que o pé sofre durante o exercício são favoráveis à instalação dos fungos.
O pé de atleta é uma doença contagiosa, transmissível por contato direto ou de forma indireta – através de meias, sapatos, toalhas e superfícies como piscinas e duches.
O calor e a humidade predispõem a proliferação do fungo, pelo que o risco de infeção aumenta quando existe sudação abundante e calçado oclusivo, tais como ténis, que impede a dispersão do calor e a evaporação da humidade.
Os atletas que utilizam equipamentos públicos como piscinas e balneários, ou praticantes de desporto como a corrida de longa distância correm mais risco de contrair este tipo de infeção.
O pé de atleta pode manifestar-se das mais diversas formas:
  • Em certos casos, a pele entre os dedos dos pés pode apresentar um aspeto avermelhado e escamoso acompanhado de gretas e/ou fissuras;
  • Bolhas na pele (pé);
  • Sensação de queimadura ou dor;
  • Prurido intenso (comichão);
  • Alterações na unha, provocando descoloração, descamação e grossura da mesma, levando a um aumento da sua fragilidade e, num caso extremo, à sua extracção. 
Para a prevenção do pé-de-atleta, existem alguns cuidados diários que os desportistas devem ter em conta:
  • Manter os pés limpos e secos, principalmente entre os dedos (pode secar com o secador na opção de ar frio);
  • Lavar os pés cuidadosamente com sabonete neutro e água, secando a área por completo (o ideal é fazê-lo duas vezes por dia);
  • Usar meias de algodão limpas e trocar as meias e o calçado sempre que necessário, de forma a manter os pés secos;
  • Usar calçado bem ventilado e, de preferência, feito de materiais naturais como o couro. Evitar os sapatos de plástico;
  • Uso de chinelos em chuveiros ou piscinas públicas;
  • Utilização de um creme anti-fúngico.

Apesar destas medidas preventivas, a melhor solução para eliminar estes incómodos microorganismos deve passar, no entanto, pelo recurso a um profissional de saúde qualificado. Apesar dos cremes anti-fúngicos serem muito utilizados e existir uma variada gama no mercado, não garantem a resolução definitiva do problema; de facto, apenas após uma correta avaliação do problema poderão ser indicados os tratamentos adequados para eliminar definitivamente esta patologia.

Só um profissional de saúde qualificado conseguirá avaliar concretamente a origem do fungo e qual o tratamento mais adequado para isolar a causa e impedir o reaparecimento do pé de atleta, utilizando as técnicas mais modernas e inovadoras na resolução do seu problema.
Com uma avaliação profissional na fase precoce do problema, conseguirá evitar que o fungo chegue às unhas, alterando a sua forma, espessura, formato e cor.
A presença de pé de atleta durante a prática de desporto, seja a nível competitivo como não-competitivo, impede ou dificulta muito a sua realização, podendo levar ao agravamento da situação clínica, pelo que é aconselhável que o desportista evite o exercício muito intenso e competições enquanto existir manifestação da doença.
Como atleta, não descure os seus pés! Se nota alguma alteração, procure uma equipa multidisciplinar especializada que consiga mais do que avaliar a sua postura, avaliar quais as suas necessidades e adaptar, em conjunto consigo, o que necessita para se sentir cada vez melhor consigo próprio.

Sandra Pita.
Licenciada em Enfermagem há 12 anos, exercendo em cuidados de saúde primários.
Formação pós-graduada em Geriatria e Gerontologia. Formação em Podologia. Formação em Feridas. Formação em Laserterapia.
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