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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Desporto... com meia ou sem meia???


(crónica de Sandra Pita)

As meias de compressão parecem ser uma tendência de moda desportiva, sendo utilizadas por um número cada vez maior de atletas. Mais que uma tendência, podemos verificar que estas meias, que vão quase até aos joelhos, são bem mais que isso; na verdade, meias deste tipo são usadas há muito por pessoas com problemas circulatórios e também em situações pós-operatórias. 


Qual a diferença?

Ao contrário das meias de compressão ditas “tradicionais”, as que são utilizadas no desporto são elaboradas com material mais resistente.

Quais os efeitos?

À semelhança de uma meia de compressão “normal”, as meias de compressão desportivas melhoram significativamente o retorno venoso para o coração, através de um impulso criado por uma ação muscular mais eficiente dos gémeos, ocasionando um aumento da capacidade de resistência do atleta. Esta compressão selectiva promove um maior equilíbrio e propriocepção, e menor fadiga muscular. 


E resulta mesmo?

Em 2009, Kemmleret e tal realizou uma pesquisa, que consistia num teste de esforço realizado em passadeira. O teste começava a uma velocidade de 9 km/h e a cada 5 minutos a velocidade da passadeira aumentava 1 km/h, indo até à exaustão do atleta. O teste foi realizado duas vezes, a primeira sem meias de compressão e a segunda com as meias. Em ambos os testes foram feitas análises de consumo de oxigénio e dosagem de concentração de ácido láctico no sangue.

O intervalo entre os testes foi de 10 dias, justamente para que o treino não tivesse influência nos resultados obtidos e para que fosse possível ao atleta recuperar do esforço.

Os corredores conseguiram, no primeiro teste sem as meias, suportar um esforço médio de 35 minutos e 18 segundos, sendo que no segundo teste com as meias a média foi de 36 minutos e 44 segundos, ou seja, um minuto e vinte e seis segundos a mais com as meias de compressão.


Estes dados são suportados por outras pesquisas. A título de exemplo, Ali et al. (2007) verificaram que não ocorrem alterações nos parâmetros fisiológicos durante ou depois de uma corrida de 10 km. No entanto, encontraram melhorias ao nível da dor muscular, apontando como possível justificação a teoria da vibração muscular. Dois outros estudos, realizados em 2006 por Chatardet & Bringardet, verificaram um melhor desempenho e economia de corrida durante uma corrida de 5 Km. 


Então… com meia ou sem meia?

Na prática desportiva, os benefícios da utilização de meias de compressão durante o exercício são então vários, sendo mais evidentes:
a) diminuição da sensação de “pernas pesadas” e de cansaço nos gémeos;
b) aumento do retorno venoso comprovado e consequente;
c) diminuição do esforço cardíaco e batimento cardíaco;
d) diminuição das vibrações musculares e tendinosas resultantes de um esforço contínuo e prolongado como a corrida, por exemplo.

Este conjunto de factores aumenta o conforto do atleta durante a competição e a possibilidade de um rendimento desportivo superior.

Outra das grandes mais-valias da utilização das meias compressivas durante o exercício é a redução do risco de desenvolvimento de hipertensão venosa crónica no sistema superficial dos membros inferiores. 
E depois do desporto?
Além da utilização de meias de compressão desportivas durante a realização de qualquer atividade, há um número cada vez mais crescente de atletas que utiliza meias próprias para a recuperação após o desporto.

De fato, após a prática desportiva, não existem dúvidas de que os equipamentos desportivos de compressão são bastante úteis na diminuição das dores musculares e na recuperação pós-treino e as meias de compressão são o exemplo disso mesmo. Vários estudos apontam para uma remoção mais eficiente do lactato, diminuição do inchaço e diminuição da dor muscular com a utilização das meias de compressão, daí ser aconselhado a todos os atletas no período que se segue à prática desportiva.


“Agradeço a participação e colaboração da fisioterapeuta Tânia Santo na realização deste artigo. Do fundo do coração, obrigada!”

Sandra Pita.
Licenciada em Enfermagem há 12 anos, exercendo em cuidados de saúde primários.
Formação pós-graduada em Geriatria e Gerontologia. Formação em Podologia. Formação em Feridas. Formação em Laserterapia.
Contacto: Tlm. 962565899 Email: info.clinipe@gmail.com
Endereço Profissional: Clinipé - Av. das Forças Armadas - Edifício Sopadel, loja 4.
2200-300 Abrantes.

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