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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Nuno Gomes analisa a 7ª jornada da II Distrital Seniores (Série A)


A 7ª Jornada da II Divisão Distrital foi caracterizada por algumas curiosidades:

Foram marcados 18 golos;
Apenas uma equipa visitante venceu;
Todas a equipas que perderam não marcaram qualquer golo;
O jogo que mais poderia influenciar a tabela classificativa decorreu na Ortiga, onde a equipa da casa recebeu e venceu At. Riachense por 1-0 com o golo a ser apontado por Pedro Louro.

A equipa do mister José Carlos ultrapassa assim o seu adversário direto na classificação, está numa série de 3 vitórias consecutivas e sem sofrer golos, ocupando desta forma, à 7ª Jornada, o 3º lugar com 15 pontos.

O At. Riachense alcança um feito pela negativa, soma o segundo jogo consecutivo sem marcar, e sem vencer, com a derrota no jogo de ontem foi relegada para a 4ª posição, com 12 pontos, fora dos lugares de acesso à fase final de apuramento de campeão.

Adivinha-se um duplo desafio para a equipa orientada pelo mister Pedro Negrete, pois deslocar-se-á ao terreno do líder (S.A.B) para a Taça do Ribatejo no próximo dia 25 de Novembro e, posteriormente para o campeonato, receberá em casa o mesmo adversário.

Quem mantém o 2º lugar com 16 pontos é a C.P. Pego, que ao vencer em casa dos Lagartos do Sardoal, por 4-0 com os golos a serem apontados por Bruno Ferreira, André Batista e Fábio Santos a bisar.

A C.P. Pego terá uma difícil deslocação na próxima jornada à L.R.Ortiga mas, em caso de vitória, deixará o adversário a 4 pontos de distância e ainda pode aproveitar o jogo entre o At. Riachense e o S.A.B.

O Sardoal, recém orientada pelo Mister Miguel Alves, ainda não pontuou neste campeonato e derivado a isso, ocupa o último lugar na tabela classificativa tendo apenas 4 golos marcados e 28 sofridos.

O T.S.U. voltou às vitórias. 

O resultado, 4-0, traduz o domínio da equipa da borboleta neste jogo. Com 2 golos do “reforço” David Nunes (Kinó) e os outros a serem apontados por Sérgio Singéis e Condeixa, o T.S.U. sobe um lugar na tabela classificativa, ocupando agora o 6º lugar com 9 pontos e ainda a tempo de alcançar os lugares cimeiros se evidenciar maior regularidade pontual.

O líder, S.A.B., voltou a golear. A equipa nabantina, U.Tomar “B”, vinha de uma vitória moralizadora sobre o Riachense, mas foi incapaz de fazer face à superioridade abrantina, que com Bernardo Bexiga em destaque com um Hat Trick, ajudou a sua equipa a vencer por 5-0, Marcos Patrício bisou.


A equipa do S.A.B. ocupa a 1ª posição com 18 pontos tendo ainda por disputar a 2ª parte do jogo com o Caxarias, onde ao intervalo vencia por 1-0.


Quem desperdiçou uma boa oportunidade de vencer foi a equipa do Aldeiense diante do Caxarias, pois ao intervalo vencia, justamente, por 2-0 com os golos a serem apontados por Paulo Ferreira (excelente golo na conversão de um livre) e José Oliveira. 

Algumas vicissitudes próprias do futebol fizeram com que a equipa treinada pelo mister Varino não conseguisse manter a vantagem, sofrendo o golo do empate nos instantes finais, ocupando o 8º lugar com 7 pontos.

No próximo fim de semana, 25 de Novembro às 15 horas, haverá Taça do Ribatejo e os jogos das equipas do nosso concelho serão os seguintes:

Sport Abrantes e Benfica - C. At. Riachense;
Tramagal Sport União - U.D. Santarém SAD;
U.D. Atalaiense-C.P. Pego

Texto da responsabilidade de Nuno Gomes
Licenciado em Ciências do Desporto - Motricidade Humana; pelo ISEIT-Piaget
Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário; ISEIT-Piaget
Ex-Treinador de Futebol na Academia Winning League Luis Figo - China
Pós Graduação - Direcção Técnica em Futebol - Universidade Lusófona
Selecionador Distrital da Associação de Futebol de Santarém - Sub14 Masculinos

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segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Futebol: Nuno Gomes analisa a 5ª jornada da II Distrital Seniores (Série A)


A 5ª jornada II Divisão Distrital Série A, foi caracterizada por alguns resultados desnivelados.

O líder Sport Abrantes e Benfica (S.A.B.) voltou a golear, por 8-0, desta vez o adversário foi a U.D. Atalaiense.


Com 15 pontos em 5 jogos realizados, tem sido dominante nesta série e com uma diferença de golos esclarecedora: 31 golos marcados e apenas 4 sofridos, sendo que 3 deles foram na última jornada, no Pego.


Sendo ainda uma fase precoce do campeonato, a equipa do S.A.B. demonstra argumentos para ser um dos classificados para a fase final, que dá acesso à subida de Divisão.


Outro resultado desnivelado aconteceu no Tramagal onde a equipa da casa voltou às vitórias fruto de uma goleada sobre os Lagartos do Sardoal, que continuam a não conseguir pontuar. Convém relembrar que o futebol sénior voltou ao Sardoal esta época e isso poderá explicar algumas dificuldades sentidas pela equipa.

A equipa do T.S.U. iniciou o jogo com um excelente golo do seu capitão, Gonçalo Fernandes (Zagaia), apesar do Sardoal ainda ter reduzido para 2-1, o T.S.U. continuou dominante e o resultado final, 7-1, espelha isso mesmo.

Terá na 6ª jornada uma deslocação importantíssima ao campo da C.P. Pego, onde terá de pontuar para não permitir uma maior distância para os lugares cimeiros.

Quem beneficiou com esta jornada foi a L.M. Ortiga que em função de uma vitória pela margem mínima, 1-0 golo de Pauleta, sobre a equipa “B” de Tomar, fez com que alcançasse o 4º lugar da tabela classificativa com 9 pontos, ultrapassando o seu adversário de ontem.

Campo sempre difícil, vitória fácil, a atender pelos números em que a C.P. Pego venceu na deslocação ao campo do A.C.D. Aldeiense com o resultado de 0-4.

Reage bem a equipa do Pego à derrota sofrida em casa na jornada anterior, mantendo assim o 3º lugar com 10 pontos, enquanto a equipa do Aldeiense ocupa a 7ª posição com apenas 6 pontos.

Quem continua perto, a apenas 3 pontos do líder é o At. Riachense que apesar da vitória tangencial, 2-1, sobre o Caxarias, mantém o 2º lugar com 12 pontos.

Texto da responsabilidade de Nuno Gomes
Licenciado em Ciências do Desporto - Motricidade Humana; pelo ISEIT-Piaget
Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário; ISEIT-Piaget
Ex-Treinador de Futebol na Academia Winning League Luis Figo - China
Pós Graduação - Direcção Técnica em Futebol - Universidade Lusófona
Selecionador Distrital da Associação de Futebol de Santarém - Sub14 Masculinos

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segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Futebol: Nuno Gomes analisa a 2ª jornada da II Distrital Seniores (Série A)


Decorrida a 2ª jornada do Campeonato, destaque para a equipa do Sport Abrantes e Benfica (SAB), na série A.


Com a vitória no Comendador por 4-0, soma 10 golos marcados e zero sofridos ocupando o primeiro lugar ex-aequo com o Atl. Riachense.

Um jogo que teve um início agressivo de ambas as equipas, pouco espaço na zona central, o que obrigava as equipas a tentarem usar o jogo exterior com prevalência para as costas dos laterais contrários.

As bolas paradas eram importantes e dessa forma o S.A.B. chegou ao golo num excelente cabeceamento de Marcos Patrício, minutos antes Rui Sousa tinha chutado ao poste.


Os duelos individuais continuaram a ser caracterizados pela agressividade, mas o Tramagal Sport União (T.S.U.) teve duas ocasiões para finalizar, e numa delas após movimento de rutura de Gonçalo Fernandes que cruzou para o cabeceamento de um colega, foi herói o guarda redes do S.A.B. que realizou uma excelente defesa, daquelas que ganham jogos e foi um momento fundamental para o jogo.


No último minuto da primeira parte o T.S.U. sofre o segundo golo por intermédio de Bernardo Bexiga, sendo justa a superioridade do S.A.B. ao intervalo, a diferença de 2 golos era exagerada.

Quando se pensava que o T.S.U. iria entrar com mais dinâmica e critério quando tinha a bola, o 3º golo marcado por Rui Sousa, logo no início, desorganizou a equipa que passou a jogar com as linhas mais afastadas e a dar espaços ao S.A.B., que assim aproveitou e venceu justamente embora, principalmente pelo que fez na 1.ª parte merecesse marcar pelo menos um golo.

Em Montalvo realce para a reviravolta da equipa do Aldeiense que vinha de dois resultados desnivelados, um jogo para a taça e outro para o campeonato, e ao intervalo perdia por 1-0 com a Ortiga, com mais um golo de Pedro Louro.

Na 2ª. parte os comandados de mister Varino melhoraram em relação aos jogos anteriores e conseguiram inverter o resultado e venceram por 3-1. Antevê-se um bom jogo na próxima jornada com uma equipa motivada pela vitória, Aldeiense, a receber uma equipa a necessitar de pontos, T.S.U.

A Casa do Povo do Pego venceu o jogo em casa por 2-0, com um jogo caracterizado por algum equilíbrio na 1.ª parte embora as oportunidades de golo tenham pertencido à equipa liderada pelo mister Fernando Rosado. Golos marcados por Diogo Rosado e, já perto do final do jogo, por Luís Rodrigues.


No último suspiro venceu a U.D.Atalaiense com um golo marcado nos últimos segundos, a bola já nem voltou ao círculo central. Primeira vitória para a equipa Atalaiense.

O Atl. Riachense confirmou o favoritismo ao vencer 3-0 em casa dos Lagartos do Sardoal, embora o resultado traduza facilitismo, tal não foi nota dominante pois os golos só foram marcados na 2.ª parte e a equipa da casa dispôs de algumas oportunidades para marcar.

Texto da responsabilidade de Nuno Gomes
Licenciado em Ciências do Desporto - Motricidade Humana; pelo ISEIT-Piaget
Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário; ISEIT-Piaget
Ex-Treinador de Futebol na Academia Winning League Luis Figo - China
Pós Graduação - Direcção Técnica em Futebol - Universidade Lusófona
Selecionador Distrital da Associação de Futebol de Santarém - Sub14 Masculinos

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segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Futebol: Nuno Gomes analisa a 1ª jornada da II Distrital Seniores (Série A)


Começou este fim-de-semana o campeonato distrital da 2ª Divisão, prova organizada pela Associação de Futebol de Santarém e onde participam três equipas do nosso concelho:

Casa do Povo do Pego;
Sport Abrantes e Benfica;
Tramagal Sport União

Integradas na Série A, os objetivos passam por vencer cada jogo onde participam tendo em vista a fase final que pode dar acesso à subida de divisão.

A fase final é constituída pelos três primeiros classificados de cada série, Série A e Série B, jogarão a duas voltas entre si com os três primeiros classificados a garantir a subida à 1ª Divisão e os 4º, 5º e 6ºs classificados a manterem-se na 2ª.   

O Sport Abrantes e Benfica (S.A.B.) recebeu e goleou a equipa Ass. Cult. Desp. Aldeiense por 6-0.


A equipa do mister Seninho, que vinha de uma vitória moralizadora sobre o Torres Novas para a Taça do Ribatejo, teve uma entrada forte e dinâmica nos processos que permitiu chegar aos 2 golos de vantagem aos 15 minutos.


A demonstrar pouca mobilidade e falta de agressividade, principalmente nos duelos individuais, algo que não é característico nas equipas treinadas pelo mister Pedro Varino, o S.A.B. dominou todos os setores e facilmente descobria espaços na zona defensiva contrária para criar situações de finalização.

Com Marcos Patrício a evidenciar-se, o resultado ao intervalo justificava-se, 4-0.


A 2ª parte foi menos intensa, com S.A.B. a revelar maior lentidão e menos critério nas acções colectivas e individuais (o desgaste do jogo da Taça terá tido influência) e o Aldeiense, fruto das alterações, a ter um pouco mais a bola do que tinha tido até então, mas as ocasiões e o perigo foram sempre da equipa visitada.

Resultado justo de uma equipa que aliado à qualidade do grupo que transitou da época anterior, considero o Toni um dos 3 melhores centrais a atuar no nosso distrito, reforçou-se com a experiência do Guarda-Redes Joel e com 3 jogadores que foram campeões Distritais da 1.ª Divisão na época transacta ao serviço da Associação Desportiva de Mação (A.D.M.).



O jogo C. Atl. Riachense contra o Tramagal S.U. (T.S.U.) foi carregado de simbolismo devido ao fato de os jogadores da equipa da casa, além de serem assumidamente candidatos à subida e ao título, quererem homenagear o atleta Laranjeiro que faleceu na passada semana vítima de doença prolongada.

Num jogo onde o T.S.U. até começou melhor, a eficácia e experiência do Atlético Riachense foi determinante. Quem assistiu ao jogo considera que os 3 pontos eram bem empregues às duas equipas, mas tal é impossível…

O T.S.U. que na época anterior apesar da boa época realizada não conseguiu, na fase final, atingir a subida de divisão, tentará certamente este ano fazer melhor que a anterior.

Antevê-se um excelente dérbie concelhio na próxima jornada com a visita do S.A.B. ao Comendador Eduardo Duarte Ferreira.

Deslocação sempre difícil ao campo do Caxarias realizou a Casa do Povo do Pego (C.P.P.) com algumas limitações e ausências de jogadores importantes, teve ocasiões de finalização que lhe permitiriam ter regressado a casa com os 3 pontos. No final da 1ª fase logo se verá se foram 2 pontos perdidos ou 1 ganho por parte de uma equipa que tradicionalmente atinge a fase final e luta pela subida de divisão.

Nota para a Liga R. de Ortiga que se reforçou com alguns jogadores do vizinho Mação, venceu a equipa da U.D.Atalaiense (U.D.A.) por 3-1 com os 3 golos a serem apontados por Pedro Louro (Ex-A.D.M.), apesar de nos últimos 10 minutos a equipa do Mister José Carlos ter ficado com 10 jogadores devido a lesão e impossibilidade de efectuar mais substituições.

De saudar o regresso dos G.D.R. Os Lagartos ao futebol sénior que, apesar da derrota na 1.ª jornada, será uma equipa que a jogar em casa criará sempre dificuldades aos adversários.

Agradecimento para todos os amigos que fazem parte do “nosso” futebol e partilham a informação acerca do que se vai desenvolvendo nos diferentes campos.

Texto da responsabilidade de Nuno Gomes
Licenciado em Ciências do Desporto - Motricidade Humana; pelo ISEIT-Piaget
Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário; ISEIT-Piaget
Ex-Treinador de Futebol na Academia Winning League Luis Figo - China
Pós Graduação - Direcção Técnica em Futebol - Universidade Lusófona
Selecionador Distrital da Associação de Futebol de Santarém - Sub14 Masculinos

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sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Gestão de Conflitos


(crónica de Nuno Gomes)

Em qualquer estrutura ou organização existe uma edificação hierárquica à qual todos devem ter ciente o seu lugar ou função.

Os Diretores dirigem, os treinadores treinam, os jogadores jogam, numa estrutura de uma equipa desportiva, futebol ou outra, isto deveria ser linearmente dessa forma, mas não é…

O conflito pode ser conotado com a divergência de opiniões, ou atos, que poderão colocar em causa o objetivo final.

Considero, enquanto treinador ou professor, que em função da origem ou da forma de resolução, o conflito poderá ser benéfico ou estrategicamente direcionado para obter rendimento individual ou coletivo, no pavilhão, na sala de aula ou na rua…

Aclarando o meu raciocínio:

Futebolisticamente escrevendo, na relação entre a direção e o treinador nem sempre existe sintonia, se hierarquicamente a direção tem mais “poder” que o treinador, os resultados obtidos podem servir de balança entre a criação ou inexistência de conflitos.

Recentemente, no nosso campeonato, aconteceu um episódio que, fazendo a minha leitura, foi usada uma estratégia de potenciar um conflito tendo como finalidade uma rutura.


Na Liga NOS decorreu um jogo que terminou com uma derrota por duas bolas e o treinador da equipa derrotada, não atribuindo de forma direta a causa da derrota, criticou a equipa de arbitragem de forma veemente.

Posteriomente o Presidente da SAD desse mesmo clube, publicamente elogiou de forma enérgica o trabalho da equipa de arbitragem, colocando em causa as opções do próprio treinador antes e durante a época, justificando dessa forma os resultados menos positivos da equipa.

Atento que a palavra do Presidente da SAD alusiva ao treinador, alicerçada em impulsos antagónicos, teria como principal foco a criação de instabilidade para levar a uma ruptura. A criação de um conflito tendo em vista um vencedor e um vencido.

Tal aconteceu. O treinador acabou por sair do clube em colisão com a direção… Caso claro de um exemplo de gestão onde as competências usadas foram canalizadas para um ganhar e outro perder, dentro da mesma estrutura. Se a estrutura sairá a ganhar? Os resultados serão o demonstrativo.
 

A relação treinador/jogador é, em alguns casos, propensa a conflitos. Motivos díspares: Confiança, ou falta dela, oportunidades, personalidade, frontalidade…

Sendo o treinador um gestor, terá de usar das próprias competências para que a resolução de qualquer conflito não seja centrada no binómio “eu ganho e tu perdes”, sob forma de que o resultado a longo prazo seja refletido negativamente no grupo de trabalho. Tal situação poderá ser transportada para o ensino escolar e para os alunos.

“Jesus confronta-me, mesmo quando eu marco. Porque quer que eu seja melhor.”

Esta frase, da autoria de Bas Dost, avançado do Sporting a um jornal desportivo, refletem a importância de um antagonismo positivo. Conhecedor das características emocionais do atleta, o treinador usa o confronto como estratégia motivadora para alcançar melhores performances do atleta e, consequentemente, do coletivo
 

Na minha experiência enquanto treinador, convivi e convivo, com diversas situações potenciadoras de conflito, relacionados com o treino, Pais, pressão de ganhar, diretores, prémios, tempo de jogo, escassez de meios, entre outros…

Sendo que as linhas orientadoras de qualquer treinador também estão vincadas na sua personalidade, enumero alguns itens que considero importantes na gestão e resolução de conflitos:
 

1- A elaboração de regras justas e adequadas a todos e não somente a alguns, seja primordial;

2- Honestidade, equidade, frontalidade e imparcialidade deverão ser pontos fundamentais do relacionamento entre o treinador e jogador;

3- Cada jogador, tal como cada ser humano, tem uma personalidade diferente e perante a mesma situação poderá reagir de diferentes formas;

4- A fuga para a frente, ou inação, nunca poderá ser a solução por parte do treinador para a resolução de conflitos;

5- Os objetivos devem ser comuns, globais e direcionados para um todo e não para a perspetiva egocêntrica;

6- Saber tirar partido de um foco de conflito e torná-lo em algo positivo para o grupo;

7- O tom agressivo de voz nem sempre se coaduna com uma liderança eficaz;

8- Colaborar, ouvir, reformular, participar, estar envolvido, antecipar cenários, lidar com pessoas complicadas, serenidade e sensatez.

Sendo um tema para inúmeras interpretações e sentidos, não deixa de ser, no caso de uma boa gestão de um conflito, a diferença entre uma derrota ou uma vitória, se a finalidade for o aspeto puramente competitivo.

"Ganhar e perder são objetivos para as competições e não conflitos. Aprender, crescer e cooperar são objetivos para resolver conflitos.” Thomas Crum

Nuno Gomes 
Licenciado em Ciências do Desporto - Motricidade Humana; pelo ISEIT-Piaget
Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário; ISEIT-Piaget
Ex-Treinador de Futebol na Academia Winning League Luis Figo - China
Pós Graduação - Direcção Técnica em Futebol - Universidade Lusófona
Selecionador Distrital da Associação de Futebol de Santarém - Sub14 Masculinos

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

O Defeso


(crónica de Nuno Gomes)

Encontramo-nos no período em que os clubes do nosso concelho não têm competição oficial, a esse período denominamos: o defeso.

Altura esta em que apesar de a bola não rolar, há imenso trabalho a desenvolver tendo em vista o planeamento da próxima época desportiva. Nos escalões de formação projeta-se a organização dos diferentes escalões, com especial ênfase para a restruturação dos jogadores, diretores e das equipas técnicas. Os clubes tentam, por norma, manter os treinadores com os respetivos escalões, ou seja, se a base da estrutura da equipa subir de escalão, o mesmo acontece à equipa técnica… Há exceções, obviamente.

Um dos motivos para isso acontecer está relacionado com o processo de organização interno do clube e, mais uma vez reforço que há exceções, com a ligação pessoal e familiar que os elementos do staff (de treinadores a diretores) têm com os jogadores.

Com isto não quero deslustrar o trabalho de quem colabora, independentemente do cargo, no associativismo do “nosso” futebol concelhio, mas sim sublinhar a excessiva dependência dos clubes nestas situações familiares/pessoais.


Caminhando para o defeso, se as situações que supracitei são mais comuns na organização do futebol de 7, nos outros escalões as dinâmicas estão, maioritariamente, relacionadas com a organização dos plantéis.

Já escrevi anteriormente no número de equipas com futebol de 11 existentes no nosso concelho, se na época desportiva 16/17 competiram as equipas do Sport Abrantes e Benfica, Tramagal Sport União, Clube Desportivo e Recreativo de Alferrarede "Os Dragões" e o Núcleo Sportinguista de Alferrarede, referindo-me somente à formação no futebol de 11, a Casa do Povo do Pego está a estruturar a sua organização para a criação de mais um escalão, os iniciados.

 Na componente lúdica saúdo a criação de mais uma equipa, neste caso escalão, bom era que todas as equipas tivessem todos os escalões, o problema entronca na finalidade competitiva…

Este período é onde o telefone dos pais/encarregados de educação, e até mesmo dos jovens atletas, mais toca, cada clube tem a intenção deliberada, e elementar, de ter os plantéis os mais competitivos possíveis, o problema é que por vezes a abordagem ou a forma como ela é feita cria clivagens institucionais que em nada favorecem o desenvolvimento do futebol concelhio e em determinados casos a evolução do próprio atleta.


Estabelecido pela Federação Portuguesa de Futebol, o novo regime de transferências, que consiste na reintrodução de uma taxa a ser paga aos clubes em caso de transferências de atletas. Sumariamente a mesma consistem, além da taxa, o valor de 37,50€ será para o clube do qual o atleta se transferiu, se para o mesmo, e do mesmo, se transferir um segundo atleta o valor será multiplicado por 3 (Ex: 37,50X3), se seis jogadores se transferirem de um clube para outro (reforço que vão todos para o mesmo clube independentemente do escalão), o valor da sexta transferência será multiplicado por 36 (Ex: 37,50X36).

Caro leitor, façamos o seguinte raciocínio lógico, demonstra-me a experiência que no passado aquando das transferências entre jogadores de formação, relembro que vigorava as designadas taxas de compensação onde os valores variavam entre os 100 e os 3000€, a política dos clubes, dado que não tinham capacidade financeira para tal, era a de colocar os pais a negociar com a direção a desvinculação da carta sem custos ou, quando os clubes queriam ser ressarcidos financeiramente, serem os próprios pais a custear a transferência. Preconizo que com a implementação das novas regulamentações o “caminho” será idêntico… Se o for e custeando os pais as taxas de transferências, quem pagará o quê? Um pagará os 37,50€? Outro pagará X3? Outro X6? O que tenho a certeza é que, sem me focar somente nas questões financeiras, será motivo para a criação de “velhos” mas muitos problemas.


Na estruturação do futebol sénior, o trabalho também é árduo nesta fase.

O foco da direção, e equipa técnica, está na organização do plantel, contratação de jogadores. Salvo raras exceções, actualmente, os clubes não conseguem pagar subsídios aos jogadores, prometendo condições de trabalho ao nível das infraestruturas ou forma de custear as deslocações dos atletas.

Essa situação torna difícil aos clubes a composição de planteis em quantidade e qualidade, a nossa sorte ainda vai sendo que ao nível da quantidade ainda somos um concelho rico em termos de jogadores, a qualidade já é uma realidade diferente…

Mas nem por isso deixa de haver problemas entre clubes, e pessoas, nesta fase.

Com a finalidade de dotar os planteis de acordo com os objetivos delineados, por vezes, assumem-se compromissos verbais com os jogadores para os quais o clube não está preparado para cumprir.

Este ponto leva inclusive a que jogadores após terem assumido um compromisso com um determinado clube, na defesa dos seus interesses pessoais, mudem de ideias e de clube. Esta situação é recorrente no nosso concelho.  


Como nem só de problemas vive o nosso concelho quero desejar, sem exceção, a todas as equipas que participam nas diversas competições, desde as organizadas pela Associação de Futebol de Santarém até às da Taça Fundação Inatel, uma ativa participação desportiva na época 17/18 e que consigam alcançar os seus objetivos em prol de um concelho mais forte e organizado.

Nuno Gomes 
Licenciado em Ciências do Desporto - Motricidade Humana; pelo ISEIT-Piaget
Mestrando em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário; ISEIT-Piaget
Treinador de Futebol na Academia Winning League Luis Figo - China
Pós Graduação - Direcção Técnica em Futebol - Universidade Lusófona

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Disto & Daquilo


(crónica de Nuno Gomes)

No início do mês de Julho fui entrevistado pela Rádio Antena Livre no programa intitulado "Disto & Daquilo", sob a condução, e convite, de Anabela Diogo (A.D.) e José Martinho Gaspar (J.M.G.)

Foram duas horas de conversa e troca de opiniões, onde a emoção, o conhecimento, a partilha de ideias em prol do desporto e do concelho foram temas dominantes. Claro está que a minha vida pessoal e profissional também foi objeto de prosa.

Nesta crónica publico alguns excertos da entrevista, e o link, para os que tiverem interesse em ouvir.


A.D.: Quem é Nuno Gomes e quando sentiu que o Futebol era a sua paixão?
R: Nunca é fácil falarmos de nós, pensamos muito mas nunca é fácil… Nasci em Abrantes em 1980, criado entre o Jardim da República e o antigo campo do Barro Vermelho […] passava mais tempo no Jardim a brincar e a jogar à bola com os meus amigos e talvez daí tenha nascido o gosto pelo desporto e pelo futebol, numa altura em que ainda se subia árvores, comia laranjas, entre outras brincadeiras… Nesse tempo ainda se subia árvores, porque hoje em dia as crianças que sobem árvores já não as descem.

Comecei a prática desportiva com a Natação nas antigas Piscinas Municipais, posteriormente é que enveredei pelo futebol, no Sporting Clube de Abrantes, no ano de 1990.

Mas, de forma mais sintética, para me caracterizar considero que sou alguém que gosta de Desporto, do Concelho de Abrantes e espero continuar, dentro das minhas possibilidades a gostar e a apoiar.

A.D.: Qual a tua música de eleição?
R: Um álbum e uma música! O álbum dos Queen: "Made in Haven" e a música "Por quem não esqueci", do grupo Sétima Legião. Esta está relacionada com momentos de cantorias com os meus amigos Paulo Pires e Márcio, durante as diversas situações em que estamos a celebrar a amizade.

J.M.G: Um livro que te marcou?
R: “Filosofia do Futebol”, do Professor Manuel Sérgio.

J.M.G.: Diferenças entre o concelho de Abrantes, nos anos 90, onde ainda se brincava na rua para os tempos atuais?
R: A minha geração talvez tenha sido das últimas a ter essa “liberdade” e interesse […] Brincar na rua durante o dia inteiro, sem preocupações de maior […]. Hoje é quase impossível isso acontecer, fatores que determinaram isso poderão estar relacionados com os valores da atual sociedade, as primazias na escolha da forma como se brinca. Uma criança hoje em dia prefere a consola, o computador ou a televisão, em detrimento das brincadeiras na rua ou com os amigos.

A.D.: De que forma a falta de futebol de rua tem limitado a evolução do jovem atleta?
R: O primeiro conceito que emerge quando falamos sobre futebol de rua é jogar futebol na rua mas, considero, que seja mais amplo do que isso. É o futebol sem regras, a brincadeira, os remates, as quedas, os golos, a pura satisfação… Felizmente, apesar da drástica diminuição, ainda não somos o País com a menor percentagem de crianças a escolher prática física o futebol de rua, mas entroncando numa resposta anterior, penso que a sociedade atual também potencia essa diminuição.

A.D.: Na formação deverá ter-se uma componente mais ligada à evolução ou à vertente competitiva?
R: Evolução desportiva, obviamente! Os resultados são o que menos interessa. Quando comecei a treinar um dos meus objetivos pessoais, enquanto treinador, era o de completar um ciclo com os jovens atletas onde houvesse o menor número de desistências possível. Penso que consegui!


J.M.G.: O teu irmão, o Paulinho, chegou durante a formação a um patamar elevado. Jogou no Sporting Clube de Portugal, mas o concelho nunca teve um atleta que tivesse singrado ao mais alto nível. Qual ou quais os motivos?
R: Tivemos recentemente um jogador que jogou na primeira Liga, o Marco Cadete. No passado e relacionados com a formação tivemos o Zeca Canavilhas, Luís Nuno (Kunga), o Dias, Tó Santos […].

Como está a conjuntura do nosso futebol concelhio, dificilmente conseguiremos juntar à qualidade ainda existente, a vertente competitiva passível de formar atletas para a alta competição.


A.D.: Como se proporcionou a tua ida para a China?
R: Em conversa, o meu amigo Jorge Heleno informou-me que a Associação Nacional de Treinadores de Futebol estava a requisitar treinadores para a Academia do Figo. Tal como em outras situações enviei o meu currículo e, em menos de duas semanas, fui contactado telefonicamente pelo diretor do Projeto: Joaquim Rolão Preto. Entre outras coisas, e estando eu ainda de férias no dia 26 de Agosto, informou-me que para fazer parte do projeto teria de viajar no dia 1 de Setembro para Pequim. Aceitei e começou aí uma aventura entusiasmante…

J.M.G: Como caraterizas o sistema Vídeo Árbitro?
R: Enquanto não se corrigir alguns aspetos, penso que venha a trazer mais problemas, do que vantagens, ao futebol. Culturalmente não estamos preparados para aceitar, mesmo que seja a verdade desportiva, se for contra o nosso clube. O tempo de paragem entre a análise ainda é demasiado, a expetativa que gera nos jogadores, porque não sabem se o golo será válido ou não, tira emoção ao jogo.

Durante esta entrevista fiz várias vezes menção a alguém por quem tenho um respeito e admirações enormes: Sr.º Virgílio Rapazote!

Foi com bastante consternação, e tendo acompanhado o seu estado de saúde nos últimos meses, que fui informado do seu falecimento.

Foi, somente, a pessoa mais importante no meu desenvolvimento desportivo, foi Presidente do meu clube, o Sport Abrantes e Benfica (S.A.B.) durante quase 3 décadas, foi um grande suporte para a minha geração e anteriores. A sua forma peculiar de ser cativava uns, criava crispação noutros, mas algo foi comum a todos os que com ele privaram: Reconhecimento!

Sei que o S.A.B. saberá reconhecer a tua importância e empenho.

Reconhecimento pelos conhecimentos demonstrados, reconhecimento pelo que deu ao concelho de Abrantes, ao Desporto e ao clube, reconhecimento por alguém que com a sua dedicação fazia de Presidente, Condutor, Diretor, Roupeiro e Conselheiro... tudo numa só pessoa. Eras e sempre serás enorme!

Por isso e muito mais…em meu nome e de todos os que contigo privaram
Obrigado, Vergi!


Foto referente à III Edição do torneio Virgílio Rapazote organizado pelo S.A.B.

http://www.antenalivre.pt/podcast/disto-daquilo-com-nuno-gomes-ouca-aqui

Nuno Gomes 
Licenciado em Ciências do Desporto - Motricidade Humana; pelo ISEIT-Piaget
Mestrando em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário; ISEIT-Piaget
Treinador de Futebol na Academia Winning League Luis Figo - China
Pós Graduação - Direcção Técnica em Futebol - Universidade Lusófona

sexta-feira, 12 de maio de 2017

O Concelho e o Futebol Sénior


(crónica de Nuno Gomes)

Já terminou, para a grande maioria das equipas, a época de futebol sénior. Neste momento, na taça Inatel, destaque para a equipa das Sentieiras no nível I e S. Miguel do Rio Torto (S.M.R.T.) no nível II, que alcançaram as meias-finais do Distrital da competição. Com o sorteio previamente definido, a equipa das Sentieiras deslocar-se-à ao campo do Seiça, enquanto S.M.R.T recebe o Grupo Desportivo de Alcaravela. Jogos a realizar este fim-de-semana.



Na Competição gerida pela Associação de Futebol de Santarém, ainda estão a competir a União Desportiva Abrantina (U.D.A.) e os Dragões de Alferrarede (C.D.R.A.).

A época da U.D.A. caracterizada de forma crescente, com alguns resultados iniciais que não eram espelhados na qualidade de jogo que apresentavam mas, com o aproximar do final da 1ª volta conseguiram aliar as exibições aos resultados e neste momento, mormente a derrota em Ferreira do Zêzere, está perto da subida de divisão e ainda pode juntar a esse feito o Título de campeã Distrital.

Não estou surpreendido… dado o valor da equipa técnica liderada pelo Paulo Fernando (Seninho) e a qualidade, técnica e humana, dos jogadores. A este factor está intrinsecamente ligado o trabalho diretivo liderado pelo Dr. Ricardo Esteves Pereira que conseguiu juntar uma equipa, embora diminuta, é igualmente valorosa.

Alcançando os feitos citados, está na hora de se atribuir à U.D.A., o crédito merecido em prol do concelho, ao invés da crítica fácil em função de um passado recente desportivo no concelho de Abrantes.


O C.D.R.A. realizou uma primeira fase onde aliou resultados e exibições positivas com alguns menos conseguidos, insuficiente para a fuga aos últimos lugares com apenas 12 pontos alcançados.


Considero benéfico, no plano desportivo, a presença da equipa no torneio de complementar. Embora os resultados não estejam a ser de acordo com os pretendidos, a equipa liderada pelo Mister Nuno Mateus (também presidente), possibilita aos jogadores a continuidade de participação num quadro competitivo, relembrando que a inscrição nesta fase não é de caráter obrigatório, a inclusão ameniza o hiato competitivo que existe entre o final da I fase do campeonato da II divisão Distrital e o início da época seguinte.

Ainda não tendo terminado o campeonato, desejo que na próxima época desportiva consigam alcançar os seus intentos.

Outro histórico do nosso concelho, o Tramagal Sport União (T.S.U.), realizou um campeonato muito aquém das expectativas na primeira fase, terminando no último lugar com apenas 4 pontos, fruto de uma vitória e um empate em dezasseis jogos.


Por decisão diretiva, entre outros factores, o facto de habitualmente ter um reduzido número de atletas presentes nas unidades de treino e os resultados alcançados, considero como treinador que os dois fatores estão interligados, o T.S.U. não participou no torneio complementar.

Nota ainda para a situação similar à do C.D.R.A., onde o Presidente, Luís Lopes, tem de desmultiplicar-se em variadas funções dentro do clube, ocupando também a função de treinador da equipa sénior.

A falta de militância organizacional nos clubes, os poucos resultados de relevância patenteada pelos clubes do concelho nos últimos anos, embora como referi anteriormente, quando os há não são devidamente valorados… Leva-nos a distintos caminhos que nos poderão levar a diferentes respostas: Estaremos a trabalhar bem o futebol no nosso concelho? O número de clubes é demasiado (futebol sénior)? A que se deve a falta de adesão diretiva? Qual o caminho da autarquia para a melhoria dos resultados no concelho, sem colocar em causa a organização e dinâmica dos clubes? Isto vendo a unicamente a perspectiva competitiva, obviamente.

Como diz e escreve o Abrantino, e amigo, Nuno Pedro: “…Todos os intervenientes têm de sentar-se à mesa e falar…”.

No Campeonato Distrital da I Divisão, e sendo a única equipa do concelho representada, a Casa do Povo do Pego (C.P.P.) realizou um campeonato em decrescendo.


Com resultados positivos na primeira volta, numa competição extremamente competitiva, não conseguiram os pontos suficientes para garantir a manutenção, sendo ultrapassados na última jornada pelo S.L.Cartaxo.

Certamente estará já a direção e a equipa técnica a conjugar esforços para alcançar a subida de divisão no próximo ano e já com a presença de um “reforço”: o relvado sintético, situação comum às equipas do T.S.U. e C.D.R.D.A.

Nota final para a Associação Desportiva de Mação (A.D.M.) pela vitória na final da Taça do Ribatejo. Mesmo não sendo uma equipa do nosso concelho é constituída, no seu plantel, estrutura técnica e diretiva, por elementos Abrantinos. Parabéns A.D.M.!


Nuno Gomes 
Licenciado em Ciências do Desporto - Motricidade Humana; pelo ISEIT-Piaget
Mestrando em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário; ISEIT-Piaget
Treinador de Futebol na Academia Winning League Luis Figo - China
Pós Graduação - Direcção Técnica em Futebol - Universidade Lusófona

sexta-feira, 10 de março de 2017

Concelho de Abrantes: Clubes vs Academias/Escolas


(crónica de Nuno Gomes)

O futebol de formação tem sofrido diversas alterações estruturais e condicionais ao longo dos últimos anos.

Alheio a essas modificações consideremos o aparecimento, embora em Portugal ainda não seja em grande escala, das academias/escolas de futebol.

Entendamos uma academia/escola de futebol como algo que fomenta a prática do futebol de forma lúdica e salutar, não participando em campeonatos federados, categorizando os jovens “alunos” em processos de aprendizagem adequados ao seu estado maturacional e objetivos centrados na evolução do jovem “aluno” e não na componente competitiva ou no rendimento/imagens dos treinadores, Pais e Diretores.

São estas as principais características que identifico numa academia/escola de formação.

Embora ao conceito de academia/escola de futebol esteja subjacente uma perspetiva empresarial, enfatizo nesta crónica a ótica da academia/escola centrada no desenvolvimento do jovem atleta.


Fazendo uma análise desportiva no nosso Concelho, no que ao futebol diz respeito, segundo dados recolhidos através da Associação de Futebol de Santarém (A.F.S.) e Câmara Municipal de Abrantes (C.M.A.) existem, desde o escalão de Séniores a Benjamins, seis equipas com futebol federado no concelho. A estes dados acrescem equipas que participam de forma lúdica, pelo menos assim deveria ser, no torneio de escolinhas organizado pela C.M.A.


No escalão de Benjamins e Infantis o Concelho tem cerca de 180 jogadores inscritos distribuídos pelas seis equipas com carácter federado (não contemplando o Futsal e o Fut. de praia). Por vezes interrogo-me se todos os jovens atletas têm as mesmas condições de evolução humana e desportiva, as oportunidades que a idade “exige” ou os objetivos fundamentais da prática desportiva estejam centradas no atleta. 

Escrevo isto não para conotar negativamente o trabalho que se efetua nas equipas do nosso Concelho, mas sim porque, não concordo com o sistema de competição inserido nos escalões de Benjamins e Infantis. O facto de haver classificação, entre outros objetivos, transporta a que os clubes potenciem a “campionite” ao invés do desenvolvimento do jovem atleta. Embora isto suceda a nível Nacional, reporto-me ao que é efetuado no Concelho de Abrantes.

Na minha opinião, a competição oficial até aos 11/12 anos deveria desenvolver-se sobre uma perspetiva onde não haveria lugar a classificação final, poderia jogar-se por zonas mas todos iriam jogar contra todos, existir a obrigatoriedade de todos os atletas serem utilizados em todos os jogos, com a proibição de resultados desajustados (Ex: 23-0). Estas são algumas das características que considero que deveriam ser regra ou objetivo final. Considerando que estas regras não iriam ser vistas como condicionantes para alguns agentes desportivos, nomeadamente treinadores e dirigentes, entendo-as como centradas única e exclusivamente no desenvolvimento do jovem atleta. 

Nesta lógica enquadro o funcionamento da academia/escola com os pressupostos que escrevi no início do texto.


Mas este enquadramento não se esgota nos escalões denominados Futebol de 7.

As academias/escolas, geralmente apresentam turmas com idades compreendidas entre os seis e os dezasseis anos de idade, o que representa a inclusão de atletas com idades para praticar Futebol de 11 (Fut.11).

No Fut. 11, o nosso Concelho tem através de quatro clubes, cerca de duzentos atletas a praticar futebol de forma federada.

Nestes escalões concordo com a dinâmica do quadro competitivo regulado pela A.F.S., embora neste ponto poderemos partilhar opiniões acerca da forma como no nosso Concelho “se trabalha” nesses escalões… se temos um número diminuto, ou exagerado de equipas no futebol sénior… Mas isso será um tema para futuras crónicas.


Não quero, com a minha linha de pensamento, adjetivar negativamente a imagem dos clubes de futebol na formação, ou afirmar que as academias/escolas são a solução para a formação do jovem atleta, mas direcionar o pensamento para novas abordagens de escolha tendo como principal objetivo a evolução dos jovens atletas.

Nuno Gomes 
Licenciado em Ciências do Desporto - Motricidade Humana; pelo ISEIT-Piaget
Mestrando em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário; ISEIT-Piaget
Treinador de Futebol na Academia Winning League Luis Figo - China