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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Como combater os momentos críticos em competição


(excertos do artigo)

"Todos os atletas já viveram momentos críticos em competição. Seja por maus momentos de forma física, por imprevistos, por incapacidade de gerir a pressão, por instabilidade emocional, por falta de confiança ou por não conseguir a concentração necessária para se superar. Estes atletas viram a sua performance afectada e ficaram aquém dos resultados. Quando isto acontece de forma repetida, o problema vai aumentado até chegar a ser crítico, destruindo a confiança, eficácia e a esperança de voltar a recuperar o seu nível ótimo de competição. Uma boa preparação mental por parte do atleta, torna-se numa vantagem competitiva, evitando percalços e aumentando a capacidade de gerir a pressão e tensão negativa nos momentos críticos.

DA INCONSISTÊNCIA AO PROBLEMA CRÍTICO

Quando a inconsistência competitiva começa a ser a regra, quando o atleta faz todos os esforços ao seu alcance para tentar combater os maus resultados e não é bem sucedido, o problema cresce até ao ponto de deixar marcas profundas de descredibilização da capacidade do atleta. Gera-se um ciclo negativo de crença sobre a capacidade de ultrapassar o problema, gerando como que um “trauma” à competição.
 
(...) Conhecer o perfil psicológico esportivo do atleta é uma mais valia para perceber como é que este funciona em situações em que a aplicação das capacidades esportivas mais contam. Isto quer dizer que a performance esportiva deve ser vista no contexto da interacção entre significação da personalidade, comportamentos e as variáveis psicofisiológicas, levando ainda em consideração os resultados esportivos derivados da análise dos momentos críticos em competição.
 

O QUE SÃO MOMENTOS CRÍTICOS

Momentos críticos podem ser definidos como casos ou situações que são fundamentais para o sucesso de uma competição. Estes momentos testem a habilidade dos atletas para terem o melhor desempenho quando é mais importante, exigindo um controlo extraordinário sobre os processos que ocorrem entre o corpo e a mente. Num jogo de ténis, um momento crítico pode ser uma oportunidade de quebra de serviço contra um jogador com um excelente serviço. No golfe, um momento crítico pode envolver a execução de uma tacada para atingir o green e ter a hipótese de fazer um birdie.
 

TRAÇOS PSICOLÓGICOS

Alguns atletas apresentam um constelação de traços de perfil psicológico em competição, que podemos chamar de constelação de fatores de risco. No Modelo de Elevado Risco de Percepção de Ameaça (MERPA) desenvolvido pelo Professor Dr. Roland A. Carlstedt. Este modelo tem por objectivo prever os riscos específicos das interacções entre corpo e mente que contribuem para o desenvolvimento dos sintomas físicos e psicológicos. Ele isolou alguns comportamentos primários de 1ª ordem:
  • Habilidade hipnótica, baixa ou elevada
  • Neuroticismo elevado/efeito negativo
  • Coping repressivo, baixo ou elevado.
De acordo com cada constelação particular derivada destas três variáveis de traços, assim também será proposta uma intervenção especifica para cada atleta de acordo com o seu perfil psicológico e dos comportamentos apresentados em competição.
 
(...) 

ESCLARECIMENTO

Todos os atletas passam por momentos críticos em competição, só que uns conseguem controlar isso e sair desse estado, outros não. O receio não é o problema, o que se torna no problema é a incapacidade de alterar os estados do atleta. É aqui que o atleta tem de tomar consciência e investir algum do seu tempo e dedicação. Investir num programa de treino mental é importante para uma eficaz reprogramação mental para o êxito.
A reter: “ O corpo está à escuta da mente.”
É preciso ir aperfeiçoando a forma como o atleta comunica consigo próprio. O atleta deverá aprender a identificar algumas das coisas que o prejudicavam, e é a partir delas que tem de ir ganhando confiança (ou seja, tem de ir ajustando e aferindo as estratégias, até que estas funcionem) sem que se sinta diminuído, quando por vezes ainda não são suficientemente eficazes. Este é um trabalho continuo que acredito dar frutos quando aplicado de uma forma sistematizada.
 

PORQUE É QUE O ATLETA FICA RECEOSO

Aquilo que o atleta pensa e faz a seguir a ter identificado uma situação critica ou um receio, é exactamente aquilo que o faz evitar ou não esse próprio receio ou a sua consequência (que por vezes são exactamente a mesma coisa). A sensação de receio irá funcionar como um marcador/identificador que dá um alerta. Se a percepção lida for de ameaça, a partir deste alerta, irá activar o perfil psicológico competitivo do atleta, irá accionar o conjunto de traços que fazem o atleta ficar fora da sua Zona de Ótimo Funcionamento. Se o atleta pensa que não irá conseguir um bom desempenho porque se está a sentir receoso ou com falta de confiança (porque no passado assim aconteceu) e diz para si, que provavelmente desta vez também se irá sair mal, então sair-se-á mal mesmo. 
 

DESMITIFICANDO O PROCESSO

O passado é isso mesmo, passado, o atleta deverá encarar o futuro com uma nova visão das suas capacidades – a capacidade para tomar na sua mão aquilo que quer fazer, pois estará a treinar o processo para chegar onde acredita que chegará.
 
(...)
 

O PROCESSO DE COMBATE AOS MOMENTOS CRÍTICOS:

  • Acreditar que não consegue.
  • Reverter a situação.
  • Orientar os pensamentos.
  • Passo a passo.
  • Mudança de crenças.
(...) 
 

Apresento em seguida alguns exemplos das estratégias mentais a usar nas rotinas pré-competitivas :

  • Respiração (inspirações e expirações profundas) o facto de dirigir a atenção para a respiração e para o ritmo da respiração, permite ganhar percepção de controlo sobre si próprio, o que é bom pois desta forma evita que os estímulos aleatórios vindos do exterior (ambiente competitivo) perturbem ou incomodem.
  • Dirigir a atenção:
    - Nesta técnica deverás dirigir a atenção para estímulos ou situações que percepcione como benéficas para si. Ou pode dirigir a atenção para si próprio, para o seu corpo ou partes do corpo (induzindo sensações de relaxamento de tensão, energéticas, entre outras).- Pode ainda dirigir a atenção para imagens, imagens de boa execução de movimentos técnicos do seu esporte, imagens de superação, imagens de experiências positivas de outras competições bem sucedidas, imagens de eficácia, de visualização do treinador e amigos a dar os cumprimentos pelos bons resultados.- Pode ainda dirigir a atenção para os seus pensamentos, aqui os pensamentos podem tomar a forma de palavras, chama-se auto-verbalizações silencioasas, estas auto-verbalizações devem ser orientadoras face ao seu objectivo, do género: “Força, acredita, vamos lá, garra, sou capaz.”
  • Visualização e verbalização. Emparelham-se auto-verbalizações com imagens da competição: Exemplo na natação - sair rápido ao tiro, nadar descontraído, voltar e empurrar forte, respirar …., braçadas longas e rápidas, resistir à dor.
  • Concentração. A concentração tem conteúdo, ou seja, durante o aquecimento e a competição a concentração é contínua, nós estamos sempre concentrados em alguma coisa. Desta forma deveremos ser nós, de forma intencional a orientar aquilo em que nos queremos concentrar (assunto, coisa ou situação) e depois orientar o processo face ao objectivo (o que pensar, dizer, ou sentir) necessário para obter um ótimo resultado. O conteúdo é um conjunto de indicações que damos a nós próprios e que acreditamos que nos servem para facilitar a obtenção daquilo que desejamos.
  • Crenças adaptativas. O atleta deverá trabalhar as crenças que tem em si próprio. Se o atleta acredita que todos os outros atletas são melhores que ele, logo esta é uma crença negativa e incapacitante que vai sabotar tudo o que fizer para cumprir o seu objectivo. O atleta coloca-se num estado de descrença face àquilo para o qual tem treinado. Isto era apenas um exemplo, não quer dizer que aconteça com todos os atletas que passam por momentos críticos em competição. Mas se isto acontece, tem de se erradicar esta crença, pois ela não corresponde à realidade. Tal como esta crença existem outras, o atleta deverá tentar perceber que crenças tem que possam prejudicá-lo face ao seu objectivo. A sua tarefa será identificar o que acha que o pode prejudicar.
  • Confiança. O atleta deverá investir na reestruturação daquilo que pensa acerca de si, e acerca das suas habilidades. Deverá adoptar a perspectiva de que com esforço e trabalho conseguirá melhorar. Os resultados constroem-se com o treino e a dedicação, com a experiência de derrotas e vitórias. Não existem derrotas, existem resultados que nos servem, para deles retirarmos informação para melhorar. Esta informação chama-se feedback, o feedback é sempre construtivo. Mesmo perante resultados menos bons, se tivermos uma atitude positiva poderemos sempre retirar informação que nos vai servir para melhorarmos o desempenho. Se experimentamos algo que não funcionou (em termos de resultado é negativo) mas em termos de aprendizagem é sempre positivo, desde que se retire informação (porque razão não funcionou?) que nos permite ir emendar, alterar ou acrescentar alguma coisa, para que na próxima oportunidade possa funcionar e aumentar a probabilidade de ser bem sucedido.

CONCLUINDO

A psicologia esportiva tem contribuído com um vasto número de estudos, práticas e estratégias que devidamente aplicadas podem contribuir para o aumento de rendimento esportivo e igualmente contribuir com uma resposta eficaz para alguns dos problemas apresentados pelos atletas, que lhes diminui o seu desempenho competitivo. Eu acredito na hipótese que os mecanismos do corpo/mente que levam à hiper-reatividade fisiológica, resultando nas queixas dos atletas, prejudicam o desempenho esportivo. Os atletas que conseguem controlar alguns aspetos mentais significativos, tais como o foco atencional, atividade cognitiva, intensidade da excitação, mobilização energética e estratégias de lidar com situações desfavoráveis, são mais capazes de expressar todo o seu potencial competitivo."

Autor: Miguel Lucas

Nota: Miguel Lucas é licenciado em Psicologia pelo Instituto Superior de Línguas e Administração de Leiria. Exerce psicologia clínica em consultório privado e Psicologia Desportiva no acompanhamento direto a atletas e clubes desportivos. É também preparador mental de atletas e equipes desportivas, treinador de atletismo e palestrante nas áreas do rendimento desportivo, motivação e psicologia. Miguel vive em Leiria. Nos seus tempos livres gosta de ler, praticar desporto e aproveitar a companhia dos seus amigos e familiares.

Veja o artigo completo: AQUI

 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Acredita em ti e nas tuas habilidades



(excertos do artigo)

"Provavelmente o maior problema que eu encontro em alguns atletas é uma enorme falta de crença nas suas próprias habilidades e capacidades. Não estou aqui a falar de falta de confiança competitiva. O que quero dizer é que a grande maioria dos atletas não acredita ser capaz de fazer aquilo que “supostamente é capaz”.

(...)

Não acredita ser capaz de expressar todo o seu potencial quando mais necessita e precisa – o dia da competição. Esta falta de crença em si próprio, cria um padrão mental de medo, tensão e desmobilização que pode causar inúmeros problemas antes das competições. Os problemas ou obstáculos mais comuns são:

  • Um enorme sentimento interno de não ser suficientemente bom
  • Nervosismo extremo e incapacitante, por vezes com reacções fisiológicas (sudação exagerada, vómitos, má disposição, dores de cabeça)
  • Pensamentos negativos de vários tipos
  • Níveis baixos de energia (por vezes quando entram no recinto competitivo, surge a sensação de perda rápida de energia)
  • Preocupação excessiva com pequenos detalhes que podem nunca ocorrer
  • Sensação de intimidação face aos adversários
  • Ciúmes de outros atletas
  • Perda de controlo sobre os seus próprios pensamentos


  • Assim que o atleta comece a acreditar em si próprio, todos estes sintomas ou situações problemáticas na sua grande maioria desaparecerão, permitindo o desenvolvimento de sentimentos e pensamentos positivos, de confiança, de capacidade e instalando-se ainda uma enorme sensação de bem-estar. Tudo isto é promotor para o atleta conseguir colocar-se na sua Zona de Óptimo Funcionamento nos momentos que antecedem a competição.

    Um dos factores que na grande maioria das vezes perturba os atletas afectando-lhes o rendimento é o – Nervosismo. Na verdade o nervosismo é uma coisa boa, é sinal que o atleta está a ficar preparado, que todo o seu corpo está a ficar alerta, está a ficar energizado para poder responder de forma eficaz ao desafio que está prestes a acontecer. Por isso o atleta não deverá ficar nervoso por se sentir “nervoso”. A estratégia será aproveitar a grande mobilização energética que o estado “nervoso” recruta de todo o organismo, e utilizá-la a favor da tarefa competitiva. Para que tal suceda o atleta deverá orientar os seus pensamentos para as rotinas pré-competitivas, utilizando o diálogo interno para o guiar em todo o processo.

    Se o atleta tiver uma rotina pré-competitiva devidamente treinada e implementada, levando em consideração os aspectos de activação motora (aquecimento) e os aspectos de activação mental (rotinas motivacionais, de visualização do gesto perfeito, de capacidade, de superação, de combatividade, de coragem, de tolerância à dor, entre outras), está a promover a colocação na sua Zona de Óptimo Funcionamento e por outro lado a inviabilizar a instalação da preocupação e de todos os aspectos sabotadores.

    Uma das formas de poderes trabalhar na crença em ti próprio e nas tuas habilidades e capacidades, é utilizares um recurso que tens sempre ao teu dispor – a tua mente.

    VISUALIZAÇÃO DIÁRIA

    (...)
     
    Aquilo que deverás fazer é implementar de forma sistemática e programada a prática da visualização, antes, durante e depois do treino. Começa pouco a pouco a imaginar na tua mente a técnica que pretendes fazer ou gostarias de vir a conseguir realizar, pensa nisso como se estivesse mesmo a acontecer.
     
    Durante o treino foca a tua imaginação e concentração naquilo que visualizaste previamente, se detectares algumas imperfeições imagina novamente como deves fazer, segue essas imagens e executa.
     
    Depois do treino revê mentalmente o que fizeste, verifica se existe alguma coisa que poderias ou queres melhorar e visualiza-te a fazer.
     
    A visualização, tal como o treino físico é um processo, será e ficará mais eficaz à medida que fores praticando. A visualização permitir-te-á melhorar a capacidade de controlo sobre as tuas imagens e consequentemente sobre o teu aparelho motor.
     
    (...)
     
    A visualização pode ser aplicada para beneficiar vários aspectos, resumidamente apresento alguns:
    • Para ultrapassar e reduzir o nervosismo extremo
    • Para aprender de forma mais fácil e rápida
    • Eliminar a intimidação competitiva
    • Aumentar e controlar os níveis de energia
    • Controlar e atingir estados de relaxamento
    • Controlar e atingir estados de activação
    • Eliminar a negatividade
    • Ajudar na recuperação da fadiga e lesões
    • Melhorar a consistência competitiva
    • Motivação e ânimo
     
    Força e boa sorte!"
     
     
    Autor: Miguel Lucas












    Nota: Miguel Lucas é licenciado em Psicologia pelo Instituto Superior de Línguas e Administração de Leiria. Exerce psicologia clínica em consultório privado e Psicologia Desportiva no acompanhamento direto a atletas e clubes desportivos. É também preparador mental de atletas e equipes desportivas, treinador de atletismo e palestrante nas áreas do rendimento desportivo, motivação e psicologia. Miguel vive em Leiria. Nos seus tempos livres gosta de ler, praticar desporto e aproveitar a companhia dos seus amigos e familiares.

    sábado, 25 de agosto de 2012

    Planificação e Estratégia: Duas armas para alcançar o sucesso



    (excertos do artigo)

    "No Programa de Preparação Mental que aplico a atletas de judo, tive oportunidade de observar que alguns atletas apesar de terem uma excelente preparação técnica e física, na grande maioria das vezes não conseguiam ter resultados considerados satisfatórios. No decorrer de algumas sessões, cheguei à conclusão que estes atletas entravam em cada luta que faziam, preparados para defender e contrariar os ataques do adversário. Com este tipo de pensamento em mente, apenas contrariar a estratégia e luta do adversário, não deixa de ser uma atitude mental pela negativa. Contrariar é isso mesmo, apenas contrariar. Deixando assim que o outro imponha a sua forma de lutar e tome vantagem por liderar as iniciativas.

    FOQUE-SE NO QUE QUER ALCANÇAR

     
    Iniciei então uma série de sessões com o objectivo de lhes ensinar um plano de ataque, de lhes ensinar a implementar um conjunto de estratégias mentais no sentido de tomarem a iniciativa daquilo que desejam que aconteça. No judo, o objectivo é derrubar o adversário, desta forma esta é a intenção principal que deve orientar toda a estratégia de luta. Os resultados foram notáveis e a percentagem de vitórias melhoraram drasticamente quando os atletas perceberam aquilo em que era importante focarem a sua atenção.

    Estes jovens atletas sempre tiveram como objectivo vencer. Não tinham nenhum problema no estabelecimento de objectivos. Aquilo que lhes faltava era um plano de ação orientado para o objectivo. No desporto como na vida, os objectivos isolados podem não ser o suficiente para sermos bem sucedidos.

    A reter: Um objectivo sem um plano de ação orientado para o resultado, é como pedalar numa bicicleta com os pneus vazios.

    Depois de estabelecer um objectivo, estabeleça um plano:
     
    (...)
     
    Desenhe o seu plano de “ataque”, estabeleça uma estratégia bem definida daquilo que necessita para cumprir o seu objectivo. Coloque-se em terreno e seja você a tomar a iniciativa dos seus movimentos e ações. Ficará surpreendido com o número de vezes que vai virar a sua vida do avesso.
     
    Estabeleça sempre os seus objetivos de acordo com aquilo que pretende alcançar e nunca apenas levando em consideração o que pretende evitar. Estabeleça os objectivo pela positiva. A partir deste ponto, pergunte-se do que necessita para se preparar para a “luta” no sentido de aplicar os seus conhecimentos, habilidades, competências, forças e virtudes. Foque-se no que tem de bom, foque-se naquilo que possui e que pode tornar-se numa vantagem para alcançar o sucesso.
     

    EVIDÊNCIAS

     
    O nosso cérebro organiza-se sempre no sentido de formular as ideias de acordo com as indicações que lhe transmitimos. Se lhe transmitimos uma indicação específica clara e orientada para algo, a nossa atenção sobre isso expande-se. Todos os recursos disponíveis são mobilizados para fazer cumprir a ordem dada. Ao estabelecermos a ordem temos de ser cautelosos quando a formulamos e como a formulamos. Três princípios têm de estar presentes:
    • Especificidade
    • Clareza
    • Orientação
    Com estes três princípios em mente, tente formular a estratégia. A estratégia é a definição de como os recursos serão alocados para se atingir o objetivo. Estratégia significava inicialmente a ação de comandar ou conduzir exércitos em tempo de guerra – um esforço de guerra, como uma virtude de um general conduzir o seu exército à vitória. Assim deve fazer nas “ordens” que dá a si mesmo, dê indicações concretas e objetivas para que o seu cérebro o conduza à vitória.
     

    PLANIFICAÇÃO

     
    A organização e estratégia é e será sempre uma forma de alcançar o sucesso e/ou minimizar os danos colaterais de algo que inevitavelmente nos será prejudicial. Mesmo em situações em que nos sentimos deprimidos, zangados ou abatidos, ainda assim este é o momento para que possamos ultrapassar todos estes sentimentos de incapacidade através da planificação. É nos momentos menos bons que nos devemos esforçar para planear o trabalho, a lida da casa, o futuro dos filhos, ou o que fazer no fim-de-semana.
     
    Assim que tenhamos definido o que queremos fazer, o que queremos ser ou que atitude ter, planificar o seu trabalho é o próximo passo. A planificação das ações daquilo que pretendemos fazer, aumenta a nossa energia e propósito. A planificação permite-nos ter uma linha de orientação sobre o que fazer e como fazer, funcionando como uma rede de trapézio, dá-nos segurança para realizar coisas com algum grau de incerteza. Sem este sentimento sujeitamo-nos a sofrer de uma estranha forma de “desordem de défice de intenção”. Ficamos com pouca clareza nas intenções, não sabemos para onde vamos ou como lidar com as situações.
     
    (...)
     
    No mundo esportivo, a planificação institui-se de forma assumida, o treinador que quer obter os melhores resultados possíveis, tem na planificação o seu principal trunfo. A planificação é a antítese da preocupação, sendo que a preocupação desmedida provoca ansiedade e uma sensação de medo e incapacidade, e a planificação, permite aumentar a sensação de auto-eficácia e capacidade, aliando ainda a mais valia de se poderem fazer ajustes ao que inicialmente se programou.
     
    (...)
     
    A planificação cuidada dos seus objetivos irá permitir que você trabalhe de forma mais motivada, fazendo mais e preocupando-se menos."
     
    Autor: Miguel Lucas












    Nota: Miguel Lucas é licenciado em Psicologia pelo Instituto Superior de Línguas e Administração de Leiria. Exerce psicologia clínica em consultório privado e Psicologia Desportiva no acompanhamento direto a atletas e clubes desportivos. É também preparador mental de atletas e equipes desportivas, treinador de atletismo e palestrante nas áreas do rendimento desportivo, motivação e psicologia. Miguel vive em Leiria. Nos seus tempos livres gosta de ler, praticar desporto e aproveitar a companhia dos seus amigos e familiares.


    quarta-feira, 8 de agosto de 2012

    Dentro da mente dos melhores atletas do mundo


    (excertos do artigo)

    "Você sabe o que é preciso para ser mentalmente forte como os melhores atletas do mundo? No esporte de competição, o objetivo último do treino é o máximo rendimento. Dia após dia atletas e treinadores aperfeiçoam a metodologia do treino, incrementam cargas, melhoram técnicas, inovam táticas, tudo com o objetivo de alcançar a melhor performance possível nas competições mais importantes. O atleta esforça-se para estar no seu pico máximo de desempenho na sua competição mais importante, no caso dos atletas de elite, por exemplo os Jogos Olímpicos, Copa do Mundo, ou Campeonatos do Mundo.

    É nas competições mais importante de uma época que se enfrentam os melhores adversários e consequentemente onde a competição se torna mais exigente e difícil. É neste tipo de competições que o atleta é colocado à prova. É a razão pela qual o atleta (eventualmente você) trabalha tão duro em todos os aspectos do seu esporte. E saber como ter um excelente desempenho e atingir o pico de performance numa grande competição, é provavelmente a razão pela qual você está lendo este artigo.

    O dia “D” é o momento em que o esportista se define como um atleta. Ele mostra a si mesmo o que é capaz de fazer, apresenta as suas habilidades para os outros, o quanto está bem preparado fisicamente, e mais importante, como ele é forte psicologicamente. Todo o meu trabalho na psicologia do esporte é direcionado para o pico de performance, para o máximo rendimento nas competições importantes. Preparo o atleta mentalmente para conseguir ter um elevado desempenho sobre pressão, e igualmente como ultrapassar momentos críticos em competição.

    (...)

    Ao longo da minha curta carreira esportiva como atleta, assim como na minha mais longa carreira como treinador de atletismo, e igualmente como psicólogo, construí a forte convicção de que os melhores atletas do mundo não diferem assim tanto fisicamente dos atletas de nível mais baixo. Evidentemente competem no mesmo esporte e executam os mesmos movimentos. Mas o que lhes permite desempenhos a um nível mais elevado vai além das suas excecionais capacidades físicas. Os melhores atletas do mundo não fazem apenas as coisas melhor, eles fazem coisas diferentes, particularmente aquelas coisas que ocorrem entre as suas orelhas, na sua mente.

    Algumas perguntas para reflexão:
    • Você já se questionou porque atletas de renome falham nas competições importantes?
    • Porque é que muitos atletas que tinham todas as condições físicas ideais, nunca se efetivaram como atletas de elevado nível?
    • Porque é que alguns atletas numa primeira fase das suas carreiras se efetivam como grandes talentos, e posteriormente, mesmo treinando diariamente nunca conseguem expressar o real potencial que lhes foi identificado?
    • Porque é que existem campeões que demonstram grande consistência competitiva, e outros apesar de já terem provado ter o mesmo nível são tremendamente inconsistentes?
    (...)
      
    MOTIVAÇÃO

    É do conhecimento do senso comum que os aspetos motivacionais jogam um papel importante no ímpeto, vontade e intenção que o atleta aplica no treino. A motivação usualmente é percepcionada através dos níveis de energia e empenho que o atleta coloca naquilo que executa, de acordo com a prévia programação do treino. Mas, o que são os conteúdos daquilo a que todos nós apelidamos de motivação? Do que é constituida a motivação? Será igual para todos os atletas? Certamente que não. É algo que possa ser medido, quantificado? Em certa medida sim, mas será sempre uma medida subjetiva e única, específica de cada atleta. Pode ser melhorada? Sim. Mas de que forma?

    (...)

    6 PASSOS NO DESENVOLVIMENTO DA TENACIDADE MENTAL

    1. Comece com a atitude certa e estado de espírito alinhado com os seus objetivos de performance
    2. Programe a sua mente para o sucesso antes do tempo (antes da competição importante) com expectativas e afirmações positivas
    3. Padronize os seus comportamentos
    4. Atitude e compostura
    5. Assuma o controle das auto-verbalizações negativas
    6. Olhe para o fracasso como um trampolim para a realização futura

    AUTODOMÍNIO E MOTIVAÇÃO

    A capacidade do atleta para controlar elementos mentais e emocionais auxilia o desempenho de tarefas, bem como a criação de uma base psicológica para a confiança e bem-estar (Boyd & Zenong, 1999). Quando o atleta possuí um elevado domínio dos seus recursos psicofisiológicos, quando sabe mobilizar as suas capacidades, habilidades e competências físicas e mentais aumenta drasticamente o seu desempenho. No entanto, quando a capacidade do atleta para controlar o seu estado psicológico é diminuída, afeta redondamente todos os seus recursos, inibe o seu potencial diminuindo a autoconfiança, bem-estar e desempenho.

    (...)

    COMO OS ATLETAS DE ELITE MANTÊM O SEU FOCO?

    Parte da resposta é que eles são capazes de imaginar a cena uma e outra vez num ciclo repetitivo de construção positiva do cenário competitivo. Mas, o que define mentalmente os atletas de elite do resto de nós? Como é que eles são capazes de ir além dos seus limites comparativamente ao mero dos mortais?

    A prática da imagética mental que é composta por três tipos de imagens mentais distintas (ensaio mental, visualização e imagética) é uma das ferramentas que os atletas podem usar para atingirem o seu potencial psicológico máximo, e consequentemente o físico. Para um atleta de elite, dominar todos os fatores mentais é tão importante quanto dominar as várias habilidades físicas. (...)"

    Autor: Miguel Lucas












    Nota: Miguel Lucas é licenciado em Psicologia pelo Instituto Superior de Línguas e Administração de Leiria. Exerce psicologia clínica em consultório privado e Psicologia Desportiva no acompanhamento direto a atletas e clubes desportivos. É também preparador mental de atletas e equipes desportivas, treinador de atletismo e palestrante nas áreas do rendimento desportivo, motivação e psicologia. Miguel vive em Leiria. Nos seus tempos livres gosta de ler, praticar desporto e aproveitar a companhia dos seus amigos e familiares.