Páginas

sábado, 14 de maio de 2016

Relação clube/atleta: uma relação de compromisso


(crónica de Nuno Gil)

Como podemos caraterizar a relação entre o clube e os seus atletas? O ideal seria uma relação de compromisso bilateral, onde as duas partes têm direitos e deveres.

Do clube, o atleta espera que este lhe proporcione um enquadramento técnico especializados, ofereça condições logísticas adequadas ao desenvolvimento da sua prática desportiva quer em treino quer em competição, lhe dê a conhecer o programa de treinos e os objetivos a que se propõem e que o ajude a fomentar o desenvolvimento das suas capacidades desportivas gerais e específicas da modalidade.

Do atleta, o clube espera que participe e se empenhe em todas as atividades de treino e competição, tenha uma conduta cívica e desportiva exemplar sempre que o está a representar e que cumpra com os seu deveres de atleta.

Mas atualmente, numa sociedade cada vez mais egocêntrica, parece-me que a relação clube/atleta, tende a ser unilateral, isto é, os atletas só fazem valer a parte dos direitos, esquecendo-se dos deveres.

Infelizmente nos escalões de formação é comum verificar que na altura dos testes escolares os atletas tendem a comparecer menos nos treinos e até a colocar alguns entraves na sua participação nas competições, situação esta que do meu ponto de vista é simplesmente lamentável.

Quando no inicio duma época desportiva um jovem se inscreve num clube, ele e o seu encarregado de educação, tem conhecimento do plano de treinos e também que tipo de competição tem pela frente. Logo, tendo conhecimento destes factores, só se inscreve porque quer e assume implicitamente que irá participar em todas as atividades da equipa/grupo.

Assim, a sua não participação quer nos treinos, quer nas competições é uma quebra de compromisso para com o clube e para com os seus pares de equipa/grupo e uma lacuna grave na sua formação pessoal, nomeadamente no que se refere ao fomento de valores sociais como o compromisso, lealdade e cooperação.

Não estou a dizer que as atividades do clube se devem sobrepor aos deveres académicos e até pessoais, o que estou a querer dizer é que antes de assumirmos compromissos, devemos analisar todas as consequências dos mesmos e quando os assumimos devemos cumpri-los até ao fim. Mais lamentável é esta situação, quando são os próprios pais a promover esta quebra de compromisso, incentivando-os, algumas vezes contra a sua vontade, a faltarem ao compromisso, quando o que deviam fazer era fomentar o cumprimento dos mesmos, principalmente quando a sua tem origem na má gestão de tempo que os seus educandos/filhos fazem.

Sem adjetivos, fico, quando vejo clubes/equipas a participarem nas competições sem um número mínimo de jogadores ou até mesmo a abandonarem as suas competições, prejudicando-se assim gravemente e aos os restantes clubes em competição, que se vêem assim privados de competir, prejudicando atletas cumpridores que não quebraram nem querem quebrar o compromisso que assumiram para com a instituição e para com os seus colegas de clubes, porque alguns atletas e pais não têm a dignidade de assumir e cumprir os seus compromissos.

Termino com uma questão: será que está preocupação excessiva com o eu em detrimento do nós, será o caminho ideal para a nossa sociedade?

Nuno Gil
Licenciado em ciências do desporto, pela FCDEF-UC
Mestre em treino do jovem atleta, pela FMH-UTL
Doutorando em ciências do desporto, na FCDEF-UC
Professor de educação física, na escola secundária Dr. Manuel Fernandes
Ex-treinador desportivo

Sem comentários:

Enviar um comentário