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sexta-feira, 18 de março de 2016

Desporto para todos e com todos


(crónica de Sofia Loureiro)

Todos os dias defendemos a integração e a inclusão daqueles/as a quem chamamos de minorias ou pessoas em situação de vulnerabilidade. Prefiro o termo inclusão porque é muito mais vasto e tem um alcance abrangente, que se consubstancia na igualdade e na oportunidade para cada um/a e para todos/as.

O processo de inclusão deverá ter sempre em consideração e como pilar essencial, que cada um/a tem interesses, paixões, motivações e características específicas e que todas estas devem ser consideradas ao longo do processo que se pretende inclusivo.

Inclusão também implica que tenhamos consciência de nós próprios, das nossas forças e das nossas fraquezas, dos nossos limites para melhor percebermos e respeitarmos as dos outros. E assim a aprendizagem e o crescimento é mútuo! Isto é inclusão!

São muitas as diretivas internacionais, europeias e nacionais que visam a inclusão, nomeadamente de pessoas com deficiência. Mas continuamos a verificar muita dificuldade na adaptação de processos, métodos e nas atitudes, que possibilitem de forma efetiva o verdadeiro acesso à igualdade de oportunidades e resultados, das crianças e jovens, com necessidades especiais.

A escola inclusiva, o desporto inclusivo, a sociedade inclusiva obriga a muitas responsabilidades e mudanças, onde de facto se deitem por terra as redes do preconceito, da caridade, da exclusão e da falsa “integração”. Porque incluir é mais, muito mais do que integrar. Numa sociedade com processos e sistemas articulados que visam a inclusão, é objetivo principal que nenhuma característica, limitação ou dificuldade específica se constituam como barreiras à aprendizagem ou ao sucesso de cada um e de cada uma.

A verdadeira e única inclusão é aquela que transforma as diferenças em riquezas, criando ferramentas e adaptando estratégias para alcançar a igualdade na diferença.

Também no desporto, da inclusão se espera muito mais do que juntar num mesmo grupo crianças e jovens com ou sem qualquer deficiência. Também é muito mais do que “permitir” que as crianças portadoras de uma qualquer especificidade ou limitação física ou cognitiva, possam aprender com as outras a viver e a tentar adaptar-se a uma qualquer prática desportiva. Não!!! A inclusão implica a adaptação do mundo que os rodeia às suas particularidades, a inclusão tem que promover a participação ativa e a autodeterminação com base num verdadeiro sentido de justiça e igualdade de oportunidades. As mesmas oportunidades para aprender. As mesmas oportunidades para competir. Os mesmos prémios. Os mesmos desafios… mas adaptados às reais necessidades de uns e outras.

Olhando para o lado sem virar a cara, será que a inclusão está a acontecer? Ou a retroceder??

Sofia Loureiro
Psicóloga Clínica
Licenciada em  Psicologia pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto 
Pós graduada em Psicoterapia Comportamental e Cognitiva

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