(crónica de Sofia Loureiro)
O burnout trata-se de um quadro clínico já bem estudado e
identificado nos profissionais de saúde e empresas, bem como noutras profissões
ditas de “ajuda”. Por se tratar de um síndrome com sintomatologia e características
psicológicas e fisiológicas, não foi fácil identifica-lo no mundo do desporto,
por se confundirem alguns sintomas com aspetos considerados “normais” na
prática desportiva.
O conceito de burnout é de origem inglesa e consiste
na junção das palavras “burn” e “out”, em que uma significa “arder” ou
“queimar” e outra “fora” ou “para fora”. Pelo facto da tradução em português
não traduzir facilmente o real significado clínico, que no fundo se aproxima
mais de um esgotamento e de uma exaustão, passou a ser usado o termo inglês na
generalidade dos países.
Na área do desporto apenas há
cerca de duas décadas é que surgiram estudos que procuraram identificar e
aprofundar as questões de burnout nos
profissionais de desporto. Interessante também verificar que muitos destes
estudos se focalizaram nos atletas e treinadores, mas também os existem
relativamente quer a árbitros e até elementos dos órgãos de direção dos clubes,
confirmando que estas classes profissionais são de facto muito propensas a
sofrer desta síndrome.
O cansaço, o stress, as lesões
mais frequentes, a baixa de rendimento, a desmotivação, a irritabilidade, o
desânimo e muitas vezes a desistência de uma carreira são os principais aspetos
a ter em conta. Por isso é de grande relevância que aceitar e reconhecer que o
quadro clínico em questão se pode diagnosticar no mundo do desporto. Assim,
aprofundando conhecimentos sobre esta questão, podem promover-se movimentos de
prevenção, trazendo ganhos tanto ao nível do rendimento e satisfação dos
profissionais de desporto, mas também e essencialmente ao nível da sua saúde
física e psicológica.
Outro aspeto a realçar é que os
estudos e as evidências científicas não se focalizam apenas no/na atleta, mas
salientam a existência do quadro clínico de burnout
em árbitros/as, treinadores/as e diretores/as desportivos. Este será
seguramente um tema a debruçar com mais detalhe em próximas crónicas.
Sofia Loureiro
Psicóloga Clínica
Licenciada em Psicologia pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto
Pós graduada em Psicoterapia Comportamental e Cognitiva
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