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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Burnout e Desporto


(crónica de Sofia Loureiro)


O burnout trata-se de um quadro clínico já bem estudado e identificado nos profissionais de saúde e empresas, bem como noutras profissões ditas de “ajuda”. Por se tratar de um síndrome com sintomatologia e características psicológicas e fisiológicas, não foi fácil identifica-lo no mundo do desporto, por se confundirem alguns sintomas com aspetos considerados “normais” na prática desportiva.

O conceito de burnout é de origem inglesa e consiste na junção das palavras “burn” e “out”, em que uma significa “arder” ou “queimar” e outra “fora” ou “para fora”. Pelo facto da tradução em português não traduzir facilmente o real significado clínico, que no fundo se aproxima mais de um esgotamento e de uma exaustão, passou a ser usado o termo inglês na generalidade dos países.

Na área do desporto apenas há cerca de duas décadas é que surgiram estudos que procuraram identificar e aprofundar as questões de burnout nos profissionais de desporto. Interessante também verificar que muitos destes estudos se focalizaram nos atletas e treinadores, mas também os existem relativamente quer a árbitros e até elementos dos órgãos de direção dos clubes, confirmando que estas classes profissionais são de facto muito propensas a sofrer desta síndrome.

O cansaço, o stress, as lesões mais frequentes, a baixa de rendimento, a desmotivação, a irritabilidade, o desânimo e muitas vezes a desistência de uma carreira são os principais aspetos a ter em conta. Por isso é de grande relevância que aceitar e reconhecer que o quadro clínico em questão se pode diagnosticar no mundo do desporto. Assim, aprofundando conhecimentos sobre esta questão, podem promover-se movimentos de prevenção, trazendo ganhos tanto ao nível do rendimento e satisfação dos profissionais de desporto, mas também e essencialmente ao nível da sua saúde física e psicológica.

Outro aspeto a realçar é que os estudos e as evidências científicas não se focalizam apenas no/na atleta, mas salientam a existência do quadro clínico de burnout em árbitros/as, treinadores/as e diretores/as desportivos. Este será seguramente um tema a debruçar com mais detalhe em próximas crónicas.

Sofia Loureiro
Psicóloga Clínica
Licenciada em  Psicologia pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto 
Pós graduada em Psicoterapia Comportamental e Cognitiva

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