(crónica de Célia Dias Lopes)
O mundo está a ficar mais doente.
Estima-se em Portugal que 42% da população é hipertensa, morrem mais de 33
pessoas por dia por AVC e surgem 160 novos casos diagnosticados por dia de
diabetes.
E, apesar dos avanços da medicina
moderna, continuamos a ser assolados por doenças crónicas. Ainda mais
preocupante é o facto de os nossos filhos estarem a ficar mais gordos e
enfrentarem agora um futuro repleto de problemas de saúde. De acordo com o
estudo realizado em Portugal em 2013-2014 pela APCOI (Associação Portuguesa
Contra Obesidade Infantil), com 18.374 crianças, 33% das crianças entre 2 a 12
anos têm excesso de peso, das quais 16,8% são obesas.
De certa forma, esquecemo-nos de
como se come: comemos demasiado, comemos os alimentos errados e comemos muitas
vezes às horas erradas. No geral consumimos demasiada carne e açúcar. Compramos
demasiados alimentos refinados e processados que nos enchem sem trazer qualquer
benefício ao funcionamento do corpo, apenas satisfazem as nossas emoções. Tais
alimentos fornecem calorias vazias, ocupando espaço no nosso estômago que podia
ser ocupado por alimentos mais úteis.
A OMS (Organização Mundial de
Saúde) estima que a má alimentação, o excesso de peso e a falta de exercício
físico sejam responsáveis por 8 em cada 10 mortes na Europa.
A má alimentação mata mais que o
tabaco, álcool e consumo de drogas.
O primeiro passo em direção à
saúde não é um simples comprimido, nem comer mais de um determinado alimento.
Mudando o que comemos e como comemos,
podemos evitar doenças.
A nutrição influencia tudo em si,
a velocidade a que envelhece, o aspeto da sua pele, os seus órgãos, os seus
níveis de energia e a sua produtividade, o seu estado de espírito e as suas
emoções, o seu peso e, a uma escala maior, se as doenças crónicas irão
prosperar no seu corpo. Tem um poderoso impacto na sua qualidade de vida.
O açúcar é o pior culpado,
oferecendo um breve bem-estar que desaparece rapidamente – deixando para trás
calorias, esgotando os minerais e fazendo com que queiramos mais.
Come à pressa as suas refeições
porque está ocupado? Mastiga poucas vezes, e depois engole a garfada quase
inteira? Come a correr? Entramos em piloto automático. Todos estes elementos
têm um impacto maior na sua saúde em geral do que poderá compreender.
A maior parte das pessoas come
demasiado, mais do que precisa, mais do que o corpo consegue aguentar, mais do
que o corpo precisa nutricionalmente.
No entanto, a dieta por si só não
é resposta total para uma boa saúde. Outra parte fundamental consiste num
melhor estilo de vida. Atividade física que lhe traga alegria como dançar,
fazer caminhadas, nadar, ioga ou a meditação são ótimos para contribuir para
essa saúde. O exercício ajuda a perder peso, fortalece os músculos (que apoiam
o seu sistema esquelético), melhora o fluxo sanguíneo e estimula a produção de
uma hormona a dopamina, que é conhecida por melhorar o estado de espírito.
Com a crescente velocidade e
intensidade da vida moderna, o descanso é tão importante quanto o trabalho.
Em resumo, ter saúde ou estar doente
depende do que come e de como vive no dia-a-dia. O que determina o estado de
saúde é a súmula diária de coisas como a alimentação, o exercício, a água, o
sono, o trabalho e o stress.
Se é assim, então a pergunta que
se coloca é esta: que estilo de vida devemos cultivar para ter uma existência
longa e saudável?
O primeiro princípio, e o mais
importante, é o da atenção, algo a que por vezes, se chama consciência.
Célia Dias Lopes é dietista.
Licenciada em Dietética desde 1997 e pós-graduada em Saúde, Aconselhamento e Tendências de Consumo, ambos pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa.
Sócio-gerente da empresa NutriCuida Consultoria e Nutrição, Lda.
É formadora e consultora na área da nutrição. Autora de inúmeras comunicações em congressos.
Autora do Livro " a e i o u da dieta saudável do doente em hemodiálise".
Membro da Associação Portuguesa de Dietistas e da Ordem dos Nutricionistas.
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