(crónica de Célia Dias Lopes)
Com este artigo vou alegrá-lo. Vou salvá-lo da vida
que tem levado a tentar não comer gordura e colesterol e provar-lhe que estes
alimentos podem ajudá-lo a preservar o bom funcionamento do seu cérebro.
Falo-vos, claro, de gorduras mais saudáveis como as
gorduras polinsaturadas ómega-3, não das gorduras “trans” (presentes nas margarinas/
cremes de barrar, alimentos processados, produtos de pastelaria). Estas são
tóxicas e estão claramente associadas a várias doenças crónicas.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que em
2030 a doença depressiva seja o primeiro diagnóstico mais incapacitante.
Segundo os últimos estudos, os ácidos gordos polinsaturados
ómega-3 são importantes para a prevenção de doenças psiquiátricas, como a
depressão e certas perturbações de ansiedade.
Na verdade, temos assistido no último século a uma
diminuição do consumo de alimentos ricos em ácidos gordos ómega-3 (presentes no
peixe, alguns vegetais e frutos secos) e a um aumento dos ácidos gordos ómega-6
(presentes na carne de vaca, porco, vitela, frango, peru, óleos vegetais, ovos,
leite e derivados, manteiga, margarinas e cereais), uma alteração prejudicial à
saúde do seu cérebro.
As gorduras ómega-6 são categorizadas como as “más”, porque
de certo modo favorecem a inflamação e existem indícios de que um consumo
elevado das mesmas está relacionado com perturbações cerebrais.
O ideal seria consumir gorduras ómega-3 e ómega-6 num
rácio de aproximadamente 1:1. Hoje em dia consumimos entre 10 a 20 vezes mais
gordura ómega-6. Reduzimos drasticamente o consumo de gorduras ómega-3
saudáveis e estimulantes para o cérebro.
O cérebro humano é o órgão “mais gordo” do corpo. Ele
pode consistir em pelo menos 60% de gordura.
De modo muito simples, as gorduras benéficas, como o
ómega-3 e as gorduras monoinsaturadas (presentes nos abacates, azeite,
azeitonas e frutos secos), reduzem a inflamação.
Certas vitaminas, principalmente a A, D, E e K,
precisam de gordura para serem absorvidas adequadamente pelo organismo, razão
pela qual a gordura alimentar é necessária para transportar estas vitaminas
lipossolúveis. As deficiências causadas pela absorção deficiente destas
vitaminas podem ser graves, e qualquer uma delas pode ser associada a doenças
cerebrais. Por exemplo a deficiência de vitamina D está associada a uma maior
suscetibilidade a variadas doenças crónicas, incluindo a doença de Alzheimer, o
Parkinson e a depressão.
Alguns dos estudos mais recentes e extraordinários
sobre o valor biológico do colesterol - e da saúde do cérebro em particular -
descobriram que o cérebro com perturbações têm falta de gordura e que o
colesterol elevado está associado a um aumento da longevidade.
Outros estudos de investigação sustentam o papel da
restrição calórica no fortalecimento do cérebro, indicam que pessoas que
consomem menos calorias têm menor risco de contrair a doença de Alzheimer e
Parkinson e aumentavam a longevidade.
Sabemos que a maior parte do consumo excessivo de
calorias se deve ao consumo de açúcar. Em média, consumimos cerca de 50Kg de
açúcar refinado por ano.
Assim, só o facto de reduzir a ingestão de açúcar já
contribui para uma grande redução calórica, e isto ajuda obviamente na perda de
peso.
Alguns estudos com uma grande amostra indicam que o
perfil dietético que beneficia a função cognitiva com o envelhecimento contém a
ingestão semanal de 2 – 5 porções de peixe, de múltiplas porções diárias de
vegetais, frutas com cores escuras ou vivas e frutos secos.
A atividade física tem sido associada à redução de
alguns transtornos físicos e mentais. Hoje já existe evidência científica que
indica que a atividade física diminui a incidência de doenças cardiovasculares,
cancro do cólon e da mama e obesidade, assim como o Alzheimer, depressão e
ansiedade.
Várias investigações recentes sugerem que o exercício
aeróbico em adultos sedentários pode melhorar a saúde do cérebro. Os autores
defendem também que o facto de os benefícios se começarem a sentir ao fim de
poucas semanas, pode motivar os adultos a manterem uma prática regular.
O exercício aeróbico regenera os genes da
longevidade, não servindo apenas para melhorar o coração mas também o quartinho
lá de cima onde moram os nossos miolos.
Portanto, tanto a dieta como o exercício devem ser
usados como meios de intervenção para reverter o possível efeito negativo na
função cerebral.
Estamos apenas no início da exploração do que
realmente acontece no cérebro durante o exercício, mas está claro que o
exercício físico e a nutrição são dois meios poderosos para positivamente
influenciar o cérebro.
Célia Dias Lopes é dietista.
Licenciada em Dietética desde 1997 e pós-graduada em Saúde, Aconselhamento e Tendências de Consumo, ambos pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa.
Sócio-gerente da empresa NutriCuida Consultoria e Nutrição, Lda.
É formadora e consultora na área da nutrição. Autora de inúmeras comunicações em congressos.
Autora do Livro " a e i o u da dieta saudável do doente em hemodiálise".
Membro da Associação Portuguesa de Dietistas e da Ordem dos Nutricionistas.
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