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quarta-feira, 24 de junho de 2015

Como reduzir a hipertensão arterial


(crónica de Célia Dias Lopes)

A hipertensão arterial (HTA) é o principal fator a contribuir para as doenças cardiovasculares (CV) que são a principal causa de morbilidade (doenças) e mortalidade (mortes) em Portugal.

Esta doença afeta quase metade dos portugueses e mata mais que o cancro. Todavia, deste número, apenas: 50% sabe que sofre desta patologia, 25% está medicado e 11% tem a tensão efetivamente controlada.

Exatamente por existir uma percentagem tão elevada de doentes cuja hipertensão não é controlada ou corrigida, é que a HTA é um dos principais fatores de risco no aparecimento de doenças cardiovasculares.

Como surge a hipertensão?

Imagine que as suas artérias são como mangueiras: em estado saudável, o sangue flui com facilidade pelo seu interior, não encontrando qualquer obstáculo ao longo do trajeto que percorre até às células.

No entanto, se nestas “mangueiras” o sangue se encontra sobre pressão, o coração tem de esforçar-se mais para fazer circular o sangue. Nestes casos, o esforço pode levar a que a massa muscular do coração aumente, fazendo com que o volume do coração se torne maior.

Numa primeira fase, o aumento muscular cardíaco não representa qualquer problema. Contudo, com o passar do tempo, este aumento pode levar a insuficiência cardíaca, angina de peito ou arritmia.

A pressão arterial é quantificada através de dois números. O primeiro número e mais elevado, diz respeito à pressão que o sangue exerce nas paredes das artérias quando o coração está a bombear sangue. É a chamada pressão arterial sistólica — habitualmente chamada “máxima”.

O segundo número indica-nos a pressão que o sangue exerce nas artérias, quando o coração está relaxado. É a chamada pressão arterial diastólica — habitualmente chamada “mínima”.

A pressão arterial ideal deve ser inferior a 120/80. Acima destes valores acresce o risco de doença coronária ou acidente vascular cerebral. Falamos pois em hipertensão arterial quando os valores da máxima e da mínima forem iguais ou superiores a 140/90.

As mudanças adequadas do estilo de vida são fundamentais para a prevenção da hipertensão. São também importantes para o seu tratamento, embora nunca devam atrasar o início da terapêutica medicamentosa em doentes com um nível de risco elevado.

As medidas de estilo de vida recomendadas e que mostraram ser capazes de reduzir a pressão arterial são: a restrição de sal, a moderação do consumo de álcool, o elevado consumo de le­gumes e frutas, dietas com baixo teor de gordura, a redução de peso e respetiva manutenção e o exer­cício físico regular. Além disso, a insistência na interrupção do hábito de fumar é obrigatória, a fim de melhorar o risco CV.

A ingestão diária de 5-6 g de sal é, portanto, recomendada para população em geral. O efeito da restrição de sódio é maior em indivíduos de raça negra, idosos e em indivíduos com diabetes, síndrome metabólica ou doença renal crónica, e a restrição de sal pode reduzir o número e doses dos fármacos anti hipertensores.

 A redução no consumo exagerado de sal pela população continua a ser uma prioridade de saúde pública, mas exige um esforço combinado da indústria dos alimentos, dos governos e do público em geral, uma vez que 80% do consumo de sal se relaciona com o "sal escondido". Calcula-se que a redução de sal nos processos de fabricação de pão, queijos, carnes processadas, margarinas e cereais irá resultar num aumento de qualidade de anos de vida.

Quando a pressão está baixa, colocar uma pitada de sal debaixo da língua resolve a situação?

Pode elevar temporariamente o nível da PA, mas para o efeito, não é a melhor forma de resolver a situação. Para elevar a pressão, o corpo deverá reter líquidos e isso não acontece imediatamente com a ingestão de sal. Como tal, a forma ideal para minorar os desconfortos da pressão baixa passa pela ingestão de líquidos (por exemplo, água) e, caso a pessoa esteja muito sintomática, deve deitar-se no chão mantendo as pernas elevadas acima da cabeça.

Atividade física na hipertensão arterial

O exercício físico pode ajudar a tratar e a prevenir a hipertensão arterial.

Estudos epidemiológicos sugerem que a atividade física aeróbica regular pode ser benéfica tanto para a prevenção, como para o tratamento da hipertensão e para a redução do risco e da mor­talidade cardiovascular.

Portanto, o exercício contribui tanto na prevenção de HTA em pacientes normotensos como no controlo da pressão arterial em indivíduos hipertensos.

Com o exercício físico verifica-se descidas da pressão arterial na casa dos 50 a 10 mmHg para a tensão máxima e 3 a 7 mmHg para a tensão mínima.

Os doentes hipertensos devem ser aconselhados a participar em pelo menos 30 minutos de exercício aeróbico dinâmico de intensidade moderada (caminhada, corrida, ciclismo ou natação) em 5-7 dias por semana.

O efeito do exercício físico sobre a hipertensão de grau leve a moderada é especialmente importante, uma vez que o hipertenso pode diminuir a dosagem dos seus medicamentos anti-hipertensivos ou até controlar a sua pressão arterial sem a necessidade de medicação.

Recomenda-se o aumento da atividade física na vida quotidiana, como utilizar as escadas em vez do elevador, deslocar-se a pé para o trabalho, compras, café, etc… Se tiver que utilizar transporte público parar antes do destino e ir a pé até ao destino, ou deixar o carro um pouco mais longe e deslocar-se a pé.

Por isso esta é mais uma razão para que a prática regular de exercício físico faça parte dos hábitos da população em geral e dos hipertensos em particular.

Célia Dias Lopes é dietista. 
Licenciada em Dietética desde 1997 e pós-graduada em Saúde, Aconselhamento e Tendências de Consumo, ambos pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa.
Sócio-gerente da empresa NutriCuida Consultoria e Nutrição, Lda.
É formadora e consultora na área da nutrição. Autora de inúmeras comunicações em congressos.
Autora do Livro " a e i o u da dieta saudável do doente em hemodiálise".
Membro da Associação Portuguesa de Dietistas e da Ordem dos Nutricionistas.

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