(crónica de Sofia Loureiro)
Na crónica anterior refletia sobre algumas das
características dos estados depressivos e da importância do exercício físico como
fator preventivo para estas desordens psicoemocionais, mas também do seu valor
terapêutico cada vez mais validado cientificamente.
Tal como mencionado, para além dos
tratamentos farmacológicos e psicoterapêuticos, são já muitos os estudos que
demonstram a importância da complementaridade da prática de exercício físico,
no tratamento da depressão.
Nesses estudos, conclui-se em
síntese que o exercício físico aeróbico é cada vez mais "receitado"
como tratamento complementar para a depressão major ou unipolar (Martinsen et
al; Maroulakis & Zervas, entre outros).
Os exercícios físicos aeróbios, onde
estão incluídos o caminhar, o correr, o nadar, o pedalar e o dançar, contribuem acima de tudo para
uma melhor gestão do stress/ansiedade, para a melhoria das perturbações do
sono, para uma maior estabilização do humor e na promoção da autoestima. Claro
que este tipo de exercícios, para que sejam eficazes, devem ser executados com alguma
regularidade e acima de tudo devem ser agradáveis de praticar, não devendo,
pelo menos numa fase inicial, ser marcados por um qualquer cunho de competição.
A regularidade aconselhada e o tempo
de duração, varia de caso para caso e das características pessoais e clínicas
em questão, apontando-se para que a frequência deste tipo de atividade se situe
entre as três e as cinco vezes por semana, com uma duração que varie entre os
20 minutos e uma hora (Grima, 1996).
As pessoas com sintomatologia
depressiva são em geral mais sedentárias. Considerando que algumas das características
da doença são precisamente a apatia, a fadiga, o desinteresse e a
hipoatividade, a adesão a este tipo de exercícios pode não ser fácil. Daí a
importância de ser realmente prescrita como parte integrante do tratamento, a
par dos antidepressivos e da psicoterapia.
A sua prática deverá ser introduzida
gradualmente nas rotinas da pessoa e não ultrapassar a capacidade física e
motivacional que cada um consiga executar. Por outro lado é essencial o apoio
de quem rodeia a pessoa com depressão para a prática de exercício físico.
Nesta época de Natal, a melancolia
instala-se mais facilmente, pela saudade, pela ausência de motivação, pelo amor
e carinho que se sente ausente. Dê um presente maravilhoso a um amigo/a seu/sua
convidando para uma caminhada, para uma volta de bicicleta ou mesmo para
dançar. Coloque um sorriso no seu coração e no coração de alguém!
Sofia Loureiro
Psicóloga Clínica
Licenciada em Psicologia pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto
Pós graduada em Psicoterapia Comportamental e Cognitiva
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