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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Atividade física e depressão, que exercício escolher


(crónica de Sofia Loureiro)

Na crónica anterior refletia sobre algumas das características dos estados depressivos e da importância do exercício físico como fator preventivo para estas desordens psicoemocionais, mas também do seu valor terapêutico cada vez mais validado cientificamente.  

Tal como mencionado, para além dos tratamentos farmacológicos e psicoterapêuticos, são já muitos os estudos que demonstram a importância da complementaridade da prática de exercício físico, no tratamento da depressão.

Nesses estudos, conclui-se em síntese que o exercício físico aeróbico é cada vez mais "receitado" como tratamento complementar para a depressão major ou unipolar (Martinsen et al; Maroulakis & Zervas, entre outros).

Os exercícios físicos aeróbios, onde estão incluídos o caminhar, o correr, o nadar, o pedalar e o dançar, contribuem acima de tudo para uma melhor gestão do stress/ansiedade, para a melhoria das perturbações do sono, para uma maior estabilização do humor e na promoção da autoestima. Claro que este tipo de exercícios, para que sejam eficazes, devem ser executados com alguma regularidade e acima de tudo devem ser agradáveis de praticar, não devendo, pelo menos numa fase inicial, ser marcados por um qualquer cunho de competição.

A regularidade aconselhada e o tempo de duração, varia de caso para caso e das características pessoais e clínicas em questão, apontando-se para que a frequência deste tipo de atividade se situe entre as três e as cinco vezes por semana, com uma duração que varie entre os 20 minutos e uma hora (Grima, 1996).

As pessoas com sintomatologia depressiva são em geral mais sedentárias. Considerando que algumas das características da doença são precisamente a apatia, a fadiga, o desinteresse e a hipoatividade, a adesão a este tipo de exercícios pode não ser fácil. Daí a importância de ser realmente prescrita como parte integrante do tratamento, a par dos antidepressivos e da psicoterapia.

A sua prática deverá ser introduzida gradualmente nas rotinas da pessoa e não ultrapassar a capacidade física e motivacional que cada um consiga executar. Por outro lado é essencial o apoio de quem rodeia a pessoa com depressão para a prática de exercício físico.

Nesta época de Natal, a melancolia instala-se mais facilmente, pela saudade, pela ausência de motivação, pelo amor e carinho que se sente ausente. Dê um presente maravilhoso a um amigo/a seu/sua convidando para uma caminhada, para uma volta de bicicleta ou mesmo para dançar. Coloque um sorriso no seu coração e no coração de alguém!

Sofia Loureiro
Psicóloga Clínica
Licenciada em  Psicologia pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto 
Pós graduada em Psicoterapia Comportamental e Cognitiva

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